Papa Francisco autoriza beatificação de padre assassinado há 24 anos em MT;

Jauru (MT) – O Papa Francisco autorizou a beatificação do padre italiano Nazareno Lanciotti, assassinado em Jauru, Mato Grosso, em 2001. A decisão, anunciada na última segunda-feira (14), reconhece o padre como “servo de Deus” pela Igreja Católica, um passo importante para sua eventual canonização.
Padre Nazareno, que dedicou sua vida a combater injustiças e denunciar abusos de poder, foi morto aos 61 anos. A Prefeitura de Jauru celebrou a autorização do Vaticano, destacando em suas redes sociais: “A comunidade jauruense celebra com fé e emoção esse importante passo rumo à sua santidade”.
Nascido em Roma, Itália, em 1940, Padre Nazareno chegou a Jauru em 1972, através do movimento voluntário Operação Mato Grosso. Na cidade, ele fundou diversas instituições, incluindo a casa de repouso para idosos Coração Imaculado de Maria, um seminário, uma escola e um hospital.
Após sua morte, fiéis iniciaram um movimento pedindo sua canonização. Em 2007, a Santa Sé autorizou a investigação sobre a vida e o martírio do padre, e a documentação foi entregue ao Vaticano dez anos depois. Um dos critérios para a beatificação é o reconhecimento de que a morte ocorreu por ódio à fé, conforme o Movimento Sacerdotal Mariano do Brasil.
Padre Nazareno iniciou seu trabalho em Jauru celebrando missas em igrejas improvisadas e auxiliando doentes e necessitados. Em 1974, fundou a paróquia Nossa Senhora do Pilar e, em 1987, tornou-se presidente nacional do Movimento Sacerdotal Mariano.
Além de seu trabalho religioso, o padre se dedicou a questões sociais e econômicas, denunciando a exploração de crianças e adolescentes, esquemas de prostituição e tráfico de drogas na região. Ele chegou a se ajoelhar em um confronto armado para evitar mortes em uma disputa de terras.
Em fevereiro de 2001, Padre Nazareno foi morto a tiros em sua própria casa por dois homens armados. A autorização do Papa Francisco para sua beatificação representa um reconhecimento do impacto de sua vida e obra na comunidade de Jauru e na Igreja Católica.
Com informações do Portal G1