Fraude no INSS: Gleisi diz que Lupi “não tem motivo para ser afastado”

Ministra defende permanência do titular da Previdência e afirma que Lula indicará novo nome para o comando do INSS
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), afirmou nesta quarta-feira (30) que o ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT), não deve ser afastado do cargo, mesmo diante da crise provocada pelas fraudes em descontos de aposentadorias e pensões no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo a ministra, não há indícios no inquérito que liguem diretamente o ministro Lupi ao esquema investigado pela Polícia Federal.
“Não tem nada contra o Lupi no inquérito. O presidente sempre é muito cauteloso em relação à presunção de inocência. Então, se não o envolve, não tem motivo para ser afastado”, disse Gleisi em entrevista à GloboNews.
A ministra acrescentou que o ministro tem se explicado publicamente e que só será afastado se futuramente surgir algum envolvimento direto.
“Obviamente, se tiver alguma coisa que, no futuro, venha a envolvê-lo, aí não só ele, como qualquer outro ministro, será afastado.”
Fraude revelada e operação policial
As declarações de Gleisi ocorrem em meio à repercussão da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura um esquema de descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas. A investigação teve início após reportagens do portal Metrópoles, publicadas em março de 2024, com base em dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação (LAI).
As reportagens revelaram que 29 entidades autorizadas pelo INSS aumentaram em 300% o faturamento com cobranças de mensalidades associativas em apenas um ano, ao mesmo tempo em que respondiam a mais de 60 mil ações judiciais por descontos não autorizados.
As vítimas relataram descontos mensais de R$ 45 a R$ 77 feitos sem consentimento, antes mesmo de o benefício cair na conta.
Após a denúncia, o INSS abriu procedimentos internos, e a CGU e a PF iniciaram a investigação que culminou na operação. Como consequência, o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi exonerado por Lula, e outros quatro integrantes da diretoria foram afastados do cargo. O então diretor de Benefícios, André Fidelis, também foi retirado da função.
Novo nome para o INSS
Durante a entrevista, Gleisi destacou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva será o responsável por indicar o novo presidente do INSS, mas não deu prazos para o anúncio.
