Lula já se encontrou com cardeal favorito à sucessão de Francisco no Vaticano

Presidente brasileiro recebeu Pietro Parolin no Palácio do Planalto e também esteve com ele durante o G20 no Rio; conclave começa nesta quarta-feira
Por Redação – Portal Cantagalo
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já esteve pessoalmente com um dos cardeais apontados como favorito à sucessão do papa Francisco, cujo conclave tem início nesta quarta-feira (7), no Vaticano. O religioso em questão é o cardeal Pietro Parolin, ex-secretário de Estado da Santa Sé, considerado pelos vaticanistas como um dos nomes mais fortes para assumir o papado em um momento crucial da Igreja Católica.
Lula e Parolin se encontraram em ao menos duas ocasiões nos últimos 12 meses. A primeira aconteceu em abril de 2024, quando o cardeal esteve no Brasil para participar da 61ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Durante sua visita, Parolin foi recebido no Palácio do Planalto e discutiu com o presidente uma pauta centrada em temas sociais e humanitários.
“Foi um bom encontro. Falamos sobre questões específicas do Brasil, como o Acordo com a Santa Sé, além dos grandes desafios globais como pobreza, fome, justiça e paz”, relatou o cardeal ao portal oficial Vatican News.
Já a segunda aparição conjunta aconteceu em novembro do mesmo ano, durante a cúpula do G20, no Rio de Janeiro. Parolin foi o representante do papa Francisco e participou da cerimônia de lançamento da Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza. Em discurso firme, destacou as dificuldades enfrentadas pelas instituições multilaterais e leu uma mensagem enviada pelo pontífice, reforçando o papel da Igreja no enfrentamento das desigualdades sociais.
Nome forte no conclave
Pietro Parolin, de 69 anos, é visto como uma figura de equilíbrio dentro da Igreja: próximo das reformas promovidas por Francisco, mas com trânsito entre alas mais conservadoras. Esse perfil de “centrista” é, segundo analistas, o que torna sua candidatura ao papado ainda mais viável.
Parolin, no entanto, carrega também críticas. Ele foi um dos artífices do controverso acordo entre o Vaticano e a China sobre a nomeação de bispos no território chinês – cujos detalhes seguem sob sigilo. O pacto é alvo de resistência por parte de membros mais tradicionalistas da Igreja e de críticos da repressão à liberdade religiosa no país asiático.
Apesar disso, o cardeal italiano surge como uma figura diplomática e articulada, que pode manter o espírito reformista de Francisco, mas sem rupturas bruscas na estrutura interna da Santa Sé.
Brasil e o Vaticano: uma relação estratégica
A boa relação entre o Brasil e o Vaticano tem sido uma constante ao longo dos últimos anos, especialmente em temas como justiça social, direitos humanos e combate à pobreza. A presença de Parolin em solo brasileiro, duas vezes em menos de um ano, reforça a relevância da maior nação católica do mundo nas decisões estratégicas do Vaticano.
Com o início do conclave, os olhos do mundo católico se voltam para a Capela Sistina. A eleição do próximo papa pode definir o rumo da Igreja para as próximas décadas – e o Brasil, mesmo indiretamente, esteve próximo dessa decisão.