Protestos da Geração Z mergulham Nepal em caos político e social

Uma onda de protestos liderada por jovens da Geração Z tomou conta do Nepal entre segunda (8) e terça-feira (9), em resposta ao bloqueio das redes sociais pelo governo e ao contraste entre a ostentação de políticos e a pobreza da população. As manifestações, que resultaram em incêndios e ataques a prédios públicos, foram classificadas como as mais violentas em décadas.
De acordo com informações do g1, sedes do governo, do Parlamento e da Suprema Corte foram incendiadas. Casas de ministros também foram alvo da revolta. Em cenas de extrema violência, autoridades foram arrastadas e agredidas por manifestantes.
A desigualdade social está no centro do descontentamento. Segundo o Banco Mundial, os 10% mais ricos do Nepal recebem mais de três vezes a renda dos 40% mais pobres. Um em cada cinco nepaleses vive em situação de pobreza, e o desemprego atinge 22% dos jovens entre 15 e 24 anos. O país integra a lista da ONU de nações menos desenvolvidas do mundo.
Esse cenário, aliado à exibição de luxo nas redes sociais por filhos de políticos, impulsionou jovens entre 16 e 30 anos a organizar os atos. A revolta popular culminou na renúncia do primeiro-ministro Khadga Prasad Oli, do Partido Comunista. O presidente Ram Chandra Poudel, de centro-esquerda, permanece no cargo.
Apesar de ser considerado uma democracia eleitoral pelo Índice de Democracia de 2025, o Nepal enfrenta fragilidade política desde a década de 1990, quando uma guerra civil de 10 anos levou à abolição da monarquia em 2008. O novo levante expõe novamente a instabilidade do sistema democrático no país.
Com informações do g1