Militares da Venezuela preparam resposta de guerrilha em caso de ataque dos EUA

Planos internos falam em “resistência prolongada”, com pequenas unidades espalhadas por mais de 280 pontos e táticas para anular superioridade convencional
Cantagalo, 11 de novembro de 2025. A cúpula militar da Venezuela estruturou um plano de defesa baseado em guerra de guerrilha para o caso de um ataque dos Estados Unidos. Documentos e fontes citados pela agência Reuters descrevem a estratégia chamada de “resistência prolongada”, que prevê células de militares atuando em centenas de localidades com sabotagens, mobilidade e desgaste continuado do adversário. Em paralelo, há um segundo eixo de ação voltado a criar desordem nas ruas de Caracas por meio de estruturas de inteligência e apoiadores armados do governo, tática referida como “anarquização”.
O desenho desse plano admite limitações severas das Forças Armadas venezuelanas após anos de baixos salários, treinamento reduzido e parque bélico antigo, em grande parte de origem russa. A ideia central é trocar a batalha frontal por ações assimétricas que dificultem ocupação e governabilidade caso tropas estrangeiras entrem no país.
Nas últimas semanas, o governo de Nicolás Maduro tem exibido mobilizações e anunciado a distribuição de forças por “frentes de batalha” no território. Em setembro, o presidente mencionou o envio de efetivos para 284 zonas de defesa, em quadro de tensão crescente com Washington.
Do lado norte-americano, o tema ganhou novo combustível com declarações recentes sobre operações na região e a autorização para a CIA atuar contra o regime. Ainda assim, questionado no fim de outubro, Donald Trump afirmou que não considerava ataques dentro da Venezuela. A retórica oscilante mantém o ambiente volátil.
Em termos de dissuasão, a Venezuela historicamente destaca arsenais como mísseis portáteis antiaéreos de fabricação russa, cuja existência foi documentada por reportagens anteriores. Especialistas, porém, avaliam que, diante da superioridade militar dos EUA, a viabilidade do plano venezuelano repousa menos em derrotar um invasor e mais em prolongar o custo político e operacional de qualquer intervenção.