Moraes cita vigília convocada por Flávio em voto para manter prisão de Bolsonaro
Ministro do STF vê “risco altíssimo” de fuga após chamada para ato em frente ao condomínio do ex-presidente e relaciona estratégia a táticas usadas na tentativa de golpe de 2022
No voto em que defendeu a prisão preventiva de Jair Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes citou a vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro em frente ao condomínio onde o pai cumpria prisão domiciliar. Para o ministro, a mobilização representava um “risco altíssimo” de fuga e ameaçava a efetividade das decisões da Justiça.
No vídeo divulgado no dia 21, Flávio chama apoiadores para o ato e afirma que “a nossa pátria não vai continuar nas mãos de ladrões, bandidos e ditadores” e que, com a força do povo, seria possível “reagir e resgatar o Brasil desse cativeiro que ele se encontra hoje”.
Moraes avaliou que o senador utilizou o mesmo “modus operandi” da organização criminosa que tentou um golpe de Estado em 2022. Segundo o ministro, a convocação seguiu a lógica da chamada “milícia digital”, com disseminação de mensagens de ataque e ódio às instituições por múltiplos canais, incitando apoiadores do ex-presidente a se deslocar até a área onde ele estava.
Para o ministro, a realização da vigília diante do condomínio colocaria em risco a ordem pública e a própria execução da prisão domiciliar. No voto, ele afirma que a eventual concentração de apoiadores poderia dificultar ações de segurança e criar ambiente favorável para uma tentativa de evasão.
Moraes também destacou a localização do condomínio de Bolsonaro em relação ao Setor de Embaixadas Sul, em Brasília. Segundo o ministro, a distância de aproximadamente 13 quilômetros pode ser percorrida em poucos minutos de carro. Ele lembrou ainda que, conforme apontado em investigações do Supremo, já houve plano para que Bolsonaro buscasse abrigo na Embaixada da Argentina, o que reforça a preocupação com fuga.
Na sequência do voto, o ministro voltou a tratar da violação da tornozeleira eletrônica. Moraes afirma que Jair Bolsonaro tentou inutilizar o equipamento de forma consciente. O próprio ex-presidente declarou que queimou a tornozeleira com um ferro de solda, alegando “curiosidade”. Para o relator, o episódio demonstra desrespeito às medidas cautelares fixadas e afronta direta às decisões judiciais.
O ministro ainda mencionou o comportamento de aliados condenados do ex-presidente, como Alexandre Ramagem e Carla Zambelli. De acordo com Moraes, eles deixaram o Brasil com o objetivo de se furtar à aplicação da lei penal, o que reforça, na visão do Supremo, o risco de que situações semelhantes ocorram se as medidas forem afrouxadas no caso de Bolsonaro.
Ao somar a convocação da vigília, o histórico de ataques às instituições, a tentativa de violar a tornozeleira eletrônica e os precedentes de aliados que saíram do país, Moraes concluiu que a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal no processo que envolve o ex-presidente.
Com informações do Portal Metrópoles
