Polícia prende mais quatro suspeitos de roubo milionário no Museu do Louvre

Um mês após assalto relâmpago em Paris, nova etapa da investigação detém suspeitos na região parisiense, mas joias avaliadas em milhões de euros seguem desaparecidas
Um mês depois do assalto cinematográfico ao Museu do Louvre, em Paris, a polícia francesa prendeu mais quatro suspeitos ligados ao roubo de joias históricas da Galeria de Apolo. Apesar do avanço nas investigações, as peças do século XIX, consideradas tesouros nacionais, ainda não foram recuperadas.
Foram detidos dois homens, de 38 e 39 anos, e duas mulheres, de 31 e 40 anos, todos moradores da região parisiense. Segundo a procuradora de Paris, Laure Beccuau, eles foram colocados em custódia policial nesta terça 25. O período de detenção pode chegar a 96 horas, o equivalente a quatro dias, e, até lá, os suspeitos não terão acesso aos detalhes do processo, o que limita a divulgação de informações sobre o motivo exato das suspeitas.
As joias foram roubadas em 19 de outubro: oito peças do século XIX, entre elas o famoso diadema da imperatriz Eugénie, esposa de Napoleão III, adornado com cerca de dois mil diamantes. O conjunto é avaliado em aproximadamente 88 milhões de euros, mas é considerado invendável em seu estado atual, justamente por ser facilmente identificável no mercado internacional de arte.
A investigação é conduzida pela Brigada de Repressão ao Banditismo da polícia judiciária de Paris e pelo Escritório Central de Luta contra o Tráfico de Bens Culturais. Até agora, em duas operações, as forças de segurança conseguiram prender três dos quatro supostos integrantes diretos da quadrilha responsável pelo golpe, mas os mandantes seguem desconhecidos.
Assalto em oito minutos
De acordo com as autoridades, o grupo agiu em plena luz do dia, utilizando um elevador de carga e serras elétricas para acessar e romper as vitrines da Galeria de Apolo. Encapuzados, dois assaltantes entraram na área expositiva enquanto outros dois davam cobertura do lado de fora. Toda a ação durou apenas oito minutos.
Os investigadores conseguiram recolher vestígios de DNA em um dos scooters usados na fuga, em uma das vitrines quebradas e em objetos abandonados dentro do museu. O material genético também foi encontrado na plataforma do elevador utilizado pelos criminosos, o que ajudou a identificar parte da quadrilha.
Segundo a procuradora, os perfis dos presos não se encaixam no estereótipo de “alto escalão” do crime organizado. Dois deles vivem em situação financeira precária na periferia de Paris: um está sem trabalho, após atuar como entregador e coletor de lixo, e outro atua como motorista de táxi clandestino, com histórico de roubos agravados. Um dos investigados acumula 11 condenações anteriores, dez delas por furtos.
Eles foram formalmente indiciados por roubo em quadrilha organizada e associação criminosa.
Segurança do Louvre em debate
Enquanto a investigação criminal avança, cresce também a polêmica política em torno da segurança do Louvre, o museu mais visitado do mundo. Um relatório do Tribunal de Contas francês apontou que a instituição priorizou “operações visíveis e atraentes” em detrimento de investimentos em segurança.
Diante das críticas, a diretora do museu, Laurence des Cars, anunciou a criação de um posto avançado móvel da polícia nacional para reforçar a proteção nos períodos de maior movimento turístico. Pouco depois do roubo, ela chegou a pedir a instalação de uma delegacia permanente dentro do Louvre, mas o pedido foi rejeitado pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez.
O museu, localizado às margens do rio Sena, passa por um momento de revisão estrutural. Um projeto amplo, anunciado pelo presidente Emmanuel Macron, prevê obras para reduzir a superlotação, criar um novo acesso, construir uma sala exclusiva para a Mona Lisa e reajustar o preço dos ingressos para visitantes de fora da União Europeia. O orçamento, inicialmente estimado em 800 milhões de euros, já foi revisto para cima e pode chegar a pelo menos 1,15 bilhão de euros, segundo o Tribunal de Contas.
Enquanto as obras não começam e novas prisões são feitas, o mistério principal permanece: onde estão as joias roubadas do Louvre e quem, de fato, comandou o roubo que chocou a França e o mundo?