China ameaça Japão e diz que país “pagará preço alto” se intervier em Taiwan

Ministério da Defesa chinês reage ao plano japonês de instalar mísseis em ilha próxima a Taiwan e acusa Tóquio de cruzar “linha vermelha”
O Ministério da Defesa Nacional da China elevou o tom contra o Japão nesta quinta 27 ao afirmar que o país vizinho “pagará um preço alto” caso “ouse cruzar a linha vermelha” em relação a Taiwan. A declaração foi feita após o governo japonês anunciar a implantação de mísseis guiados de médio alcance na ilha de Yonaguni, localizada a cerca de 110 quilômetros de Taiwan.
A tensão entre Pequim e Tóquio cresceu depois que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, declarou que o Japão poderia agir militarmente caso a China avance sobre a ilha autogovernada. A fala foi vista pelos chineses como ameaça direta à sua política para Taiwan.
No domingo 23, o ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, confirmou que o país está “avançando constantemente nos preparativos” para instalar os mísseis em Yonaguni. Segundo ele, a medida reduziria o risco de o Japão ser atacado e não teria por objetivo aumentar as tensões na região. A resposta chinesa veio em tom de advertência.
“O Exército de Libertação Popular da China possui fortes capacidades e meios confiáveis para derrotar qualquer agressor. Caso o lado japonês ouse cruzar a linha vermelha e atrair problemas para si, certamente pagará um preço alto”, declarou o Ministério da Defesa.
O porta-voz da pasta, coronel Jiang Bin, classificou a questão de Taiwan como “assunto puramente interno” da China e afirmou que o Japão não tem legitimidade para se envolver. Ele também resgatou o passado histórico dos dois países:
“Em vez de se arrepender dos crimes de guerra cometidos durante a invasão e colonização de Taiwan, o Japão adota uma abordagem extremamente equivocada ao sugerir uma intervenção militar em uma suposta contingência taiwanesa”, criticou.
Taiwan reforça defesa e mira apoio internacional
Taiwan funciona como uma nação insular autogovernada, sem controle de Pequim, mas é reivindicada pela China como parte do seu território. Em meio ao aumento da pressão militar e diplomática, o governo taiwanês anunciou, na quarta 26, um orçamento especial de defesa de 40 bilhões de dólares, destinado a reforçar as capacidades militares diante das manobras chinesas.
Ao comentar o plano, o presidente da ilha afirmou que o compromisso de Taiwan com a paz e a estabilidade regional é “inabalável” e que “nenhum país estará mais determinado a proteger o futuro de Taiwan do que o próprio povo taiwanês”.
Do lado chinês, o presidente Xi Jinping vem insistindo que o retorno de Taiwan ao domínio de Pequim é “fundamental para manter a ordem internacional do pós-Segunda Guerra Mundial”. Em conversa recente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Xi evocou a história da aliança entre os dois países contra o fascismo:
“China e Estados Unidos lutaram lado a lado contra o fascismo e o militarismo. Diante do que está acontecendo, é ainda mais importante que atuemos juntos para preservar a vitória da Segunda Guerra Mundial”, afirmou o líder chinês.
O impasse em torno de Taiwan, agora envolvendo diretamente China, Japão e Estados Unidos, mantém o clima de incerteza no Indo-Pacífico e eleva o risco de novos episódios de confronto diplomático e militar na região.