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Ex-governador opositor de Maduro morre em prisão na Venezuela aos 55 anos

Reprodução/Facebook

Alfredo Díaz, ex-governador de Nova Esparta, estava preso desde novembro de 2024 sob acusações de terrorismo e incitação ao ódio; governo fala em infarto, enquanto oposição denuncia padrão de repressão e mortes sob custódia do Estado.

O ex-governador venezuelano Alfredo Díaz, crítico declarado do regime de Nicolás Maduro, morreu neste sábado (6/12) em uma prisão de Caracas, aos 55 anos. Ele respondia a acusações de “terrorismo” e “incitação ao ódio” e estava detido desde novembro de 2024, após questionar publicamente a reeleição de Maduro e denunciar a crise elétrica no estado de Nova Esparta, que governou entre 2017 e 2021.

A morte foi confirmada por organizações de direitos humanos e pelo Ministério do Serviço Penitenciário da Venezuela, que atribuiu o óbito a um infarto. De acordo com nota oficial, Díaz teria apresentado “sintomas compatíveis com infarto do miocárdio” e foi “imediatamente” encaminhado para atendimento médico, morrendo minutos depois de chegar ao Hospital Universitário de Caracas.

Entidades de defesa dos presos políticos contestam a versão oficial e apontam para o histórico de violações de direitos humanos em centros de detenção venezuelanos. Segundo Alfredo Romero, diretor da ONG Foro Penal, Díaz teve apenas uma visita autorizada da filha durante todo o período em que esteve preso.

O ex-governador estava detido em El Helicoide, sede do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), em Caracas. O local é amplamente classificado por opositores e ativistas como um “centro de tortura”, diante de relatos recorrentes de maus-tratos, isolamento e negação de atendimento médico. O advogado Gonzalo Himiob, também do Foro Penal, afirmou que Díaz ainda aguardava julgamento. Segundo ele, a família havia indicado a ONG como representante legal, mas o governo nomeou um defensor público para o caso.

Em comunicado, o Ministério do Serviço Penitenciário afirmou que Díaz vinha sendo processado “com plena garantia de seus direitos” e “respeito aos direitos humanos”.

Mortes sob custódia e denúncias de repressão

Alfredo Romero afirma que ao menos 17 presos políticos morreram sob custódia do Estado venezuelano desde 2014. Desses, pelo menos seis seriam opositores detidos desde novembro de 2024, no contexto dos protestos contra a reeleição de Nicolás Maduro. “Quem assume a responsabilidade por esta e pelas outras mortes que ocorreram?”, questionou Romero.

O Foro Penal calcula que o país mantém atualmente cerca de 887 presos políticos. Para o diretor da ONG, a repressão se consolidou como estratégia do governo para intimidar opositores.

A líder opositora María Corina Machado, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, afirmou em nota conjunta com Edmundo González Urrutia – apontado pela oposição como vencedor das eleições de 2024 e hoje no exílio – que a morte de Díaz “se soma a uma alarmante e dolorosa cadeia de falecimentos de presos políticos detidos no contexto da repressão pós-eleições”.

Segundo o comunicado, as mortes sob custódia ocorrem em um cenário de “negação de atendimento médico, condições desumanas, isolamento, torturas e tratamento cruel, desumano e degradante”, o que evidenciaria um padrão sistemático de repressão estatal.

Os protestos contra a reeleição de Maduro deixaram pelo menos 28 mortos e cerca de 2,4 mil detidos, a maioria acusados de “terrorismo”. Aproximadamente 2 mil pessoas teriam sido libertadas desde então, mas líderes opositores e entidades de direitos humanos afirmam que o clima de medo e perseguição política permanece.

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