HUOP realiza primeira cirurgia pelo SUS para correção de aneurisma de aorta torácica e abdominal
Procedimento de alta complexidade marca avanço na oferta de tratamentos especializados no Oeste do Paraná

Horas de expectativa marcaram a família de Rafael Antônio Falenski enquanto aguardava notícias na porta da Hemodinâmica do Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP). Do outro lado, seu pai, Miguel Falenski, de 72 anos, morador de Santa Helena, passava por um procedimento que entraria para a história da instituição.
O paciente foi submetido à primeira cirurgia realizada no HUOP, 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para correção de aneurisma de aorta torácica e abdominal. O procedimento de alta complexidade representa um avanço significativo na assistência médica oferecida à população dos 94 municípios atendidos pelo hospital.
Segundo o filho, a família foi informada previamente sobre os riscos do tratamento, que exigiu duas etapas cirúrgicas. A primeira foi realizada em 26 de novembro e a segunda em 25 de fevereiro.
“Fomos avisados que meu pai precisaria fazer a cirurgia em duas etapas. A primeira seria mais complicada e a segunda mais tranquila, e foi assim que aconteceu. Sabíamos que era um procedimento complexo, com risco elevado de ele não sair da sala de cirurgia, mas estávamos cientes disso”, relatou Rafael.

A intervenção ocorreu na sala de Hemodinâmica do hospital, equipada com tecnologia de imagem de alta precisão, essencial para procedimentos endovasculares minimamente invasivos. A técnica utilizada permitiu tratar a dilatação grave da aorta — a principal artéria do corpo humano — reduzindo o risco de ruptura ou dissecção, condições potencialmente fatais.
De acordo com os cirurgiões vasculares responsáveis pelo procedimento, os médicos Walter Zavem Gomes de Oliveira Karakhanian e Gustavo Antônio Giolo, a cirurgia exigiu planejamento detalhado e a atuação integrada de uma equipe multidisciplinar.
“Trata-se de uma cirurgia extremamente complexa, que no passado era realizada de forma aberta. Hoje conseguimos executar o procedimento por meio de cateterismo, utilizando próteses específicas. A divisão em duas etapas foi necessária para garantir maior segurança na substituição da aorta e de suas ramificações”, explicou o Dr. Walter.
Além do ineditismo técnico, o procedimento também representa um marco no acesso à saúde pública na região. Até recentemente, pacientes com esse tipo de diagnóstico precisavam ser encaminhados para grandes centros, principalmente devido ao alto custo dos materiais utilizados, que na rede privada podem ultrapassar R$ 200 mil apenas em insumos.
Para viabilizar a cirurgia no HUOP, foi fundamental o apoio da direção hospitalar, responsável por garantir estrutura técnica adequada, equipe especializada e a aquisição dos materiais necessários para a realização do procedimento.
O diretor-geral do hospital, Rafael Muniz, destacou o compromisso da instituição em ampliar a oferta de procedimentos de alta complexidade pelo SUS.
“A missão do Hospital Universitário é ser referência regional. Mesmo sendo um hospital 100% SUS e enfrentando desafios burocráticos, buscamos constantemente avançar com apoio do Governo do Estado. Esse procedimento demonstra a capacidade técnica da nossa equipe e reforça o compromisso com a vida”, afirmou.
A recuperação do paciente trouxe alívio e emoção para a família. Um dia após a segunda etapa da cirurgia, Miguel Falenski já estava em casa, ao lado dos familiares, apresentando boa evolução clínica.
“Só temos a agradecer. Fomos atendidos e bem orientados. A nossa torcida é que o hospital continue ajudando outras pessoas”, disse Rafael.
O sucesso do procedimento fortalece o setor de Hemodinâmica do HUOP como referência em cirurgias de alta complexidade e abre caminho para que novos casos semelhantes possam ser tratados na própria região, ampliando o acesso da população a tecnologias avançadas de saúde no Oeste do Paraná.