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“Cavalona do pó”: influenciadora é presa em operação que investiga tráfico e lavagem com bets clandestinas

Empresária ostentava vida de luxo nas redes sociais enquanto, segundo a polícia, integrava esquema nacional de drogas e movimentação de dinheiro ilícito
Foto: Reprodução

A prisão da empresária e influenciadora amazonense Mirian Mônica da Silva Viana, conhecida como “Cavalona do pó”, tornou-se um dos principais focos da Operação Resina Oculta, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) nesta quinta-feira (19). Ela é apontada como peça-chave em um esquema nacional de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro por meio de apostas ilegais.

Com mais de 50 mil seguidores nas redes sociais, Mirian exibia uma rotina marcada por ostentação, com viagens frequentes, hospedagens em resorts de alto padrão e registros em destinos turísticos dentro e fora do país. Segundo as investigações da Coordenação de Repressão às Drogas (Cord), por trás da imagem de sucesso, a influenciadora teria papel relevante na estrutura criminosa.

De acordo com a polícia, o padrão de vida divulgado nas redes levantou suspeitas por ser incompatível com a renda formal declarada. Para os investigadores, o conteúdo publicado também funcionava como vitrine para dar aparência de legalidade a recursos de origem ilícita.

A influenciadora já havia sido presa em 15 de dezembro de 2025, durante uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal na BR-060, em Rio Verde (GO). Na ocasião, dois veículos viajavam juntos: um Hyundai Creta, onde ela estava e que atuava como “batedor”, e um VW T-Cross que transportava 29,7 quilos de skunk escondidos. O motorista do carro com a droga afirmou que havia recebido o entorpecente em Manaus e faria a entrega em Brasília.

As investigações também apontam que uma empresa ligada à suspeita, uma loja de calçados, teria sido utilizada para lavar dinheiro do tráfico. Ao longo de 2025, o estabelecimento recebeu valores de diversos traficantes do Distrito Federal, incluindo envolvidos em uma apreensão de aproximadamente 50 quilos de haxixe que deu origem à operação.

A Operação Resina Oculta começou em outubro de 2025, após a apreensão de 47,4 quilos de haxixe e 877 gramas de skunk no Riacho Fundo (DF). A partir daí, a polícia identificou uma rede estruturada que atuava como entreposto de drogas e utilizava empresas de fachada, “laranjas” e plataformas ilegais de apostas para movimentar recursos.

Durante a ação, foram cumpridos 41 mandados de busca e apreensão e nove de prisão, além do bloqueio de contas de 50 empresas e 12 pessoas físicas, com limite de até R$ 15 milhões por alvo. Também houve sequestro de veículos de luxo.

No caso de Mirian, a Justiça determinou prisão temporária e bloqueio de bens. Em 13 de março de 2026, ela passou a cumprir prisão domiciliar por decisão judicial.

A Polícia Civil afirma que o esquema envolvia dezenas de pessoas e operava de forma sofisticada em diferentes regiões do país. Novas fases da operação não estão descartadas.

 

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