Frio, ar seco e excesso de telas agravam a síndrome do olho seco
Oftalmologista explica como hábitos simples podem proteger os olhos nesta época do ano

Quando o inverno chega, a preocupação costuma estar em proteger a pele e prevenir doenças respiratórias. Mas existe outra parte do corpo que também sofre com a estação: os olhos. O ar seco, os ventos frios e o uso frequente de aquecedores e ar-condicionado favorecem o ressecamento da superfície ocular e podem agravar a síndrome do olho seco.
Em julho, a campanha Julho Turquesa reforça esse alerta ao incentivar a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado da doença, que pode comprometer a qualidade de vida quando não identificada a tempo. Segundo a Associação Brasileira de Portadores de Olho Seco (APOS), cerca de 34% dos brasileiros com mais de 18 anos apresentam algum sintoma da síndrome, o que representa mais de 20 milhões de pessoas.
A lágrima é formada por três camadas que atuam em conjunto para proteger, nutrir e lubrificar a superfície ocular. Quando uma delas sofre alterações, seja pela redução da produção ou pela evaporação acelerada do filme lacrimal, os olhos perdem parte dessa proteção natural. “Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a maioria dos casos não está relacionada à falta de lágrima, mas à sua evaporação excessiva”, explica o oftalmologista do Hospital de Olhos de Cascavel, Dr. Guilherme Leite Camargo.
Segundo o especialista, a principal causa da síndrome é a obstrução das glândulas localizadas nas pálpebras. Além disso, fatores como envelhecimento, alterações hormonais, estresse, alimentação inadequada, poluição, uso prolongado de telas e ambientes com baixa umidade ou climatizados por ar-condicionado favorecem o desenvolvimento da doença.
“Cada pálpebra possui cerca de 30 dessas glândulas. Quando elas ficam obstruídas, muitas deixam de funcionar adequadamente, fazendo com que a lágrima evapore mais rapidamente. Como consequência, surgem sintomas como ardência, vermelhidão, sensação de areia nos olhos, lacrimejamento, sensibilidade à luz e visão embaçada”, ressalta.
Nem todo olho seco é igual

Como as causas da doença variam, o tratamento também precisa ser individualizado. A conduta pode incluir colírios lubrificantes, pomadas, medicamentos por via oral, produtos para higiene das pálpebras e compressas mornas para desobstruir as glândulas. “Em alguns casos, também é necessário o acompanhamento de outros especialistas. Pacientes com doenças de pele podem precisar de avaliação dermatológica, enquanto pessoas com baixa produção de lágrimas frequentemente apresentam doenças autoimunes e devem ser acompanhadas por um reumatologista”, orienta o médico.
Cada vez mais comum entre jovens
Embora o envelhecimento continue sendo um importante fator de risco, a síndrome tem sido diagnosticada com frequência crescente entre adultos jovens. Um dos principais motivos é o uso excessivo de computadores, celulares e tablets, que reduz a frequência das piscadas e acelera a evaporação da lágrima.
“Além do excesso de telas, fatores como inflamação das pálpebras, piscadas incompletas, alimentação inadequada, alterações do sono, tabagismo e consumo excessivo de álcool também contribuem para o desenvolvimento da doença. A consulta oftalmológica periódica é fundamental, pois quanto mais cedo identificamos as alterações, mais simples, rápido e eficaz tende a ser o tratamento”, conclui o médico Guilherme.
Para prevenir o ressecamento ocular e aliviar os sintomas, recomenda-se piscar com mais frequência durante o uso de telas, fazer pausas regulares seguindo a regra 20-20-20, manter boa hidratação, evitar a exposição direta dos olhos ao ar-condicionado e a ventiladores e adotar uma alimentação equilibrada.
Assessoria
