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Pesquisa revela que muitos brasileiros ainda ignoram sangue nas fezes, um dos principais sinais do câncer colorretal

Levantamento aponta que 43% dos moradores das regiões Norte e Centro-Oeste preferem esperar o sintoma desaparecer em vez de procurar atendimento médico; INCA estima mais de 53 mil novos casos da doença por ano no Brasil
Foto: Jian Fan/Getty Images

A presença de sangue nas fezes, um dos principais sinais de alerta para o câncer colorretal, ainda é negligenciada por uma parcela significativa da população brasileira. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center, em parceria com a Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, que ouviu 2.015 pessoas em todo o país entre os dias 25 e 30 de junho.

Nas regiões Norte e Centro-Oeste, 43% dos entrevistados afirmaram que preferiram esperar o sintoma desaparecer em vez de buscar atendimento médico. Apenas 39% disseram ter procurado um profissional de saúde imediatamente após perceber sangue nas fezes, o menor percentual registrado entre todas as regiões brasileiras.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer colorretal deve registrar cerca de 53.810 novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028, sendo atualmente o segundo tipo de câncer mais frequente no país.

A pesquisa também revelou diferenças significativas entre as regiões. Enquanto no Norte e Centro-Oeste 43% aguardaram o desaparecimento do sintoma, esse índice caiu para 23% no Nordeste, 10% no Sudeste e apenas 3% no Sul. Já a procura imediata por atendimento médico foi de 72% no Sudeste, 53% no Sul e 49% no Nordeste.

Outro dado chamou a atenção dos pesquisadores: embora 76% dos entrevistados do Norte e Centro-Oeste considerem sangue nas fezes e alterações persistentes no funcionamento do intestino sintomas graves ou muito graves, apenas 62% associaram esses sinais ao câncer colorretal, o menor índice do país.

O estudo também avaliou o conhecimento sobre a pesquisa de sangue oculto nas fezes, exame utilizado para detectar pequenos sangramentos não visíveis a olho nu. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, 68% dos entrevistados disseram nunca ter ouvido falar do exame. Apesar disso, 13% afirmaram já tê-lo realizado, o maior percentual entre as regiões pesquisadas.

Para o líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C.Camargo Cancer Center, Samuel Aguiar, o diagnóstico precoce é determinante para aumentar as chances de cura da doença. Segundo o especialista, exames como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia são fundamentais para identificar o câncer em estágio inicial.

Além da presença de sangue nas fezes, especialistas alertam que alterações persistentes no hábito intestinal, dor abdominal frequente e perda de peso sem causa aparente também devem motivar uma avaliação médica. O A.C.Camargo recomenda a realização de exames de rastreamento a partir dos 45 anos ou antes, quando houver indicação médica ou histórico familiar da doença.

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