PARANÁ

Mãe de vítima de feminicídio pede união de mulheres contra a violência

Inês Gonçalves de Brito teve a filha assassinada pelo ex-marido que não aceitava separação. Crime aconteceu há um ano e filhos da vítima precisam de acompanhamento psicológico devido aos traumas causados pela perda

Foto: Vanderlei Faria/Secom

Cascavel (PR) – Centenas de pessoas se uniram em uma emocionante caminhada silenciosa intitulada “Cascavel Unida contra o Feminicídio” no centro de Cascavel (PR) neste sábado (22). O evento teve como objetivo chamar a atenção para a grave questão do feminicídio, violência que afeta milhares de mulheres em todo o mundo.

Entre as participantes estava Inês Gonçalves de Brito, uma mãe que, no dia 3 de julho do ano passado, teve sua vida dilacerada pela tragédia do feminicídio. Sua filha foi vítima de um assassinato brutal pelo ex-marido, que não aceitava o fim do relacionamento.

A filha deixou para trás dois netos, de três e 12 anos, que estão enfrentando um período doloroso devido ao trauma e à perda irreparável. Ambos recebem acompanhamento psicológico semanal para ajudar a lidar com as profundas marcas emocionais que a tragédia deixou em suas vidas. O mais velho luta contra a depressão, enquanto o mais novo enfrenta um quadro de ansiedade.

Inês ressaltou a importância da união das mulheres contra essa realidade dolorosa, pedindo que elas não se submetam a situações abusivas, evitando que mais vidas sejam perdidas. “É uma dor muito grande quando envolve crianças. Eu só peço que as mulheres se unam contra esse tipo de situação. Não deu certo a primeira vez, não tentem a segunda, não tentem a terceira, porque aí eles vão achando que são donos e acontece o que aconteceu com minha filha”.

O prefeito Leonaldo de Paranhos participou da caminhada e destacou que o feminicídio é um desafio que precisa ser enfrentado por toda a sociedade. “Nós precisamos debater esse tema, precisamos enfrentar essa realidade. O feminicídio tem acontecido em todo o mundo e no Brasil não é diferente”, afirmou.

O prefeito voltou a defender uma política pública para amparar crianças órfãs que perderam suas mães para o feminicídio. Um projeto de lei nesse sentido será encaminhado para apreciação e votação na Câmara de Vereadores de Cascavel.

“Muitas vezes essas crianças não têm com quem ficar, muitas vezes as pessoas que ficam cuidando também não têm condições de cuidar delas. O poder público quer acenar para esse tema”, enfatizou.

Inês ressaltou a importância da união das mulheres contra essa realidade dolorosa, pedindo que elas não se submetam a situações abusivas, evitando que mais vidas sejam perdidas. “É uma dor muito grande quando envolve crianças. Eu só peço que as mulheres se unam contra esse tipo de situação. Não deu certo a primeira vez, não tentem a segunda, não tentem a terceira, porque aí eles vão achando que são donos e acontece o que aconteceu com minha filha”.

A primeira-dama Fabiola Paranhos disse que ações como a caminhada silenciosa de hoje servem para chamar a atenção sobre a necessidade de falar sobre o assunto.

“É preciso sair da discussão e partir para ação. É algo que as pessoas precisam entender, que existe realmente violência contra a mulher, que não é uma disputa de gênero, homem contra mulher, são mulheres que são mortas apenas por ser mulher”, enfatizou.

Hudson Moreschi, secretário de Assistência Social, também destacou que é preciso agir na prevenção contra esse tipo de crime.

“É preciso sensibilizar a comunidade, principalmente numa perspectiva de prevenção, porque depois dos traumas, quando acontece um crime, o reflexo é para toda a sociedade, toda a família. Por isso a importância de estarmos aqui debatendo sobre esse assunto”, afirmou.

Para Andrea Simone Frias, promotora da 14ª Promotoria de Violência Doméstica contra a Mulher, eventos como a caminhada são de suma importância. Ela observou que existe uma questão cultural que envolve a violência contra a mulher, mas que é preciso unir forças para enfrentar esses casos. Andrea também ressaltou que é preciso ampliar as ações das entidades públicas para fortalecer o enfrentamento à violência.

“Hoje nós vemos que a Delegacia da Mulher está superlotada, a Vara de Violência Doméstica já não está dando conta da demanda. São questões que precisamos trazer para a sociedade para que ela entenda”, afirmou.

Hoje o principal instrumento para amparar mulheres vítimas são as medidas protetivas de urgência. “Infelizmente, quando vemos casos de feminicídio, são mulheres que não tinham medidas protetivas aqui em Cascavel”, afirma. Ela ressalta que a medida protetiva funciona e coloca o agressor numa situação em que ele sabe que, se descumprir, será preso.

A juíza de Direito Nicia Kirchkein Cardoso participou da caminhada, defendeu ações preventivas e ressaltou que as mulheres estão mais conscientes sobre denunciar os abusos. “Graças a Deus, ultimamente as mulheres estão denunciando mais, mas nós precisamos cada vez nos unir mais para levar as informações da importância de levar essas denúncias até nós, para que a gente possa tentar não deixar o caso chegar ao feminicídio”, diz.

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