OPINIÃO

Ciúme: Vilão ou prova de amor?

*Nicole Rocha

Há quem defenda o ciúme como prova de amor e há quem se apavore quando percebe esse sentimento presente. De qualquer forma, viver sentindo ciúmes de alguém ou conviver sob o domínio de um parceiro(a) ciumento(a) não é nada fácil.

Há quem diga que adora que o parceiro(a) sinta ciúmes. Há quem diga que odeia que o outro demonstre. Alguns vêem esse sentimento como prejudicial no relacionamento e há quem defenda o ciúmes afirmando que se trata de uma “prova de amor”. O fato é que esse sentimento causa um certo alvoroço em meio aos apaixonados.

Em minha experiência de trabalho, coletei informações tanto dos ciumentos quanto dos parceiros que sofriam com parceiro ciumento. A angústia consistia em ambos.

Não podemos afirmar que se trata de uma maldade do parceiro ciumento, mas sim, de um descontrole emocional muito ligado à ansiedade e abandono.
Este descontrole faz com o que individuo sempre pense que há um rival em seu relacionamento, alguém que terá algo que ele não tem para oferecer ao seu cônjuge e que por conta dessa impotência, acaba por sufocar o outro. Algumas pessoas inclusive, relatam ter vivido uma relação infernal quando o parceiro ciumento fazia eternos interrogatórios a fim de cessar sua eterna dúvida em saber se o outro era ou não um mentiroso. Isso traz adoecimento para o relacionamento.

Na imaginação do ciumento, seu parceiro é capaz de troca-lo por outro a qualquer hora, nesse momento surgem as desconfianças, o medo de perdê-lo, o nervosismo, as agressividades em relação a hábitos que o parceiro tenha, constante vigilância em relação a horários, ligações e até a privacidade de seu cônjuge pode ser invadida, o que torna a relação cada vez mais desgastante. Não importa a forma como esse sentimento se manifesta, o ciúme é sempre limitador.

Afinal, quem nunca sentiu vontade de espiar o celular do namorado(a)?

O ciúme na maioria das vezes é inconsciente, e por mais que o sujeito ciumento tente controlá-lo, o que é impossível faze-lo 24 horas por dia, traz sofrimentos tanto para ele quanto pro outro(a).

Concordo com uma autora que admiro muito, Regina Navarro Lins, quando esta afirma que quando nos relacionamos com o parceiro amoroso na vida adulta, reeditamos aquele vínculo primário que tínhamos com a mãe e então revivemos na idade adulta as necessidades infantis. Aquele medo do abandono materno se torna presente e é nesse momento que a ideia perder o parceiro se torna insuportável. O ciúme e o controle tomam conta da situação e começam a fazer parte dessa relação amorosa.

Isso explica muita coisa, né?

Mas por quê esse controle prejudica tanto o relacionamento e ainda assim continua fazendo parte dele?

Acontece que o ciúme está diretamente ligado a imagem que temos sobre nós mesmos. Portanto quando você acredita em sua capacidade de ser interessante para o parceiro ou parceira, então enfim, consegue viver bem consigo e com o outro.

Quando precisamos ficar alertas quanto ao nível do Ciúme?
Quando o medo de perder o(a) parceiro(a) se torna maior do que o prazer de estar com ele(a).

Porém, não se espante! Esse é um sentimento que existe em todas relações amorosas, e aquele que afirma com toda a certeza que não sente ciúme, apenas consegue controlar com mais facilidade do que outros. Por isso o ciúme existe desde o nível leve até o patológico.

O ciúme patológico, obviamente é o mais preocupante por se tratar de um caso que precisa de um tratamento adequado. Podendo inclusive, se tornar abusivo e destruir suas relações.

Existem muitas maneiras de evitar que esse sentimento prejudique sua relação. Se você não consegue encontrar uma forma eficiente de enxergar a origem do seu ciúme e assim impedi-lo, então este é um bom momento para procurar ajuda e olhar para dentro de si com mais profundidade e autenticidade.

*Nicole Rocha é psicóloga

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