Entre rugas, pálpebras e visão: o que muda quando a estética chega aos olhos?
Blefaroplastia ultrapassa 2,1 milhões de procedimentos, e especialista alerta para cuidados que vão além da aparência

O olhar costuma revelar cedo os sinais do envelhecimento. Excesso de pele, flacidez e perda de volume ao redor dos olhos podem deixar a expressão mais cansada e, em alguns casos, comprometer o funcionamento das pálpebras. De acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), mais de 2,1 milhões de blefaroplastias foram realizadas no mundo em 2024, um aumento de 13,4% em relação ao ano anterior. No Brasil, o procedimento ocupou a terceira posição entre as cirurgias estéticas mais realizadas, com cerca de 231 mil intervenções.
Apesar da procura pelo rejuvenescimento, a região não deve ser tratada apenas sob o ponto de vista da aparência. As pálpebras protegem os olhos, participam do piscar e ajudam na distribuição da lágrima. “A região dos olhos tem grande influência na expressão do rosto e costuma ser uma das primeiras a apresentar mudanças relacionadas à idade. Por isso, não podemos separar a estética da oftalmologia”, explica a médica oftalmologista do Hospital de Olhos Nicole Rommel Nunes.
Valorização da beleza natural
A procura por procedimentos também mudou. Segundo a especialista, há alguns anos atrás, muitos pacientes buscavam resultados mais evidentes. Hoje, a preferência é por mudanças discretas, que preservem a identidade e as expressões. “A pessoa quer ouvir que está bonita, descansada e com uma aparência saudável, sem que seja possível identificar exatamente o que foi feito”, observa.
Para alcançar esse resultado, o planejamento é mais importante do que a quantidade de intervenções. Anatomia, qualidade da pele, padrão de expressão e processo de envelhecimento precisam ser considerados individualmente. “É possível combinar diferentes estratégias e manter a naturalidade. O tratamento deve respeitar as características de cada paciente”, afirma.
Toxina botulínica nasceu na oftalmologia
Um dos procedimentos estéticos mais conhecidos começou como tratamento ocular. Na década de 1970, o oftalmologista Alan Scott estudou o uso da toxina botulínica para relaxar os músculos responsáveis pelo estrabismo. Posteriormente, observou-se que pacientes tratados por alterações musculares e espasmos palpebrais também apresentavam redução das rugas ao redor dos olhos e entre as sobrancelhas.
Atualmente, a toxina é utilizada principalmente para suavizar linhas relacionadas ao movimento dos músculos, como as da testa, da glabela e dos cantos dos olhos. “Ela costuma ser uma porta de entrada para os tratamentos estéticos e é especialmente útil quando as linhas começam a permanecer visíveis mesmo com o rosto em repouso”, explica a Dra. Nicole.
Excesso de produto pode afetar a visão
Embora rara, a perda visual é uma das complicações mais graves do preenchimento com ácido hialurônico. Ela pode ocorrer quando o produto entra acidentalmente em um vaso sanguíneo e alcança a circulação responsável pela irrigação da retina e do nervo óptico, especialmente em regiões como a glabela e a ponte nasal. “Dor intensa, alteração na coloração da pele, visão embaçada ou perda visual são sintomas que exigem atendimento imediato”, alerta a médica.
Assessoria