Segurança

PCPR mira organização criminosa familiar que abastecia o Rio de Janeiro com drogas e armas

Por Da redação · 18/09/2026 07:28
PCPR mira organização criminosa familiar que abastecia o Rio de Janeiro com drogas e armas
Operação cumpre 28 ordens judiciais no Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo e determina bloqueio de até R$ 10 milhões

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou na manhã desta sexta-feira (18) uma operação contra uma organização criminosa familiar investigada por tráfico interestadual de drogas, comércio e transporte de armas de fogo de uso restrito e proibido, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Ao todo, são cumpridos 14 mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão em Maringá, Foz do Iguaçu, São Miguel do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu, no Paraná, além de endereços nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. A Justiça também autorizou o bloqueio de 21 contas bancárias e aplicações financeiras, até o limite de R$ 10 milhões, e medidas de sequestro e apreensão envolvendo 19 veículos.

As investigações começaram em fevereiro de 2026, após o compartilhamento autorizado pela Justiça de provas obtidas durante a prisão, em dezembro de 2025, de um traficante apontado como responsável pelo transporte de grandes carregamentos de drogas e armas de Curitiba para comunidades dominadas por organizações criminosas no Rio de Janeiro.

Segundo a PCPR, após a prisão, outro integrante assumiu a logística das cargas ilícitas no eixo Maringá–Curitiba–Rio de Janeiro, contando com a participação da companheira e dos quatro filhos.

Quase meia tonelada de drogas e armas apreendidas

Durante a investigação, em 18 de junho, policiais civis apreenderam aproximadamente 459 quilos de cocaína e crack, além de um fuzil calibre 5,56 mm, nove pistolas 9 mm e 15 peças desmontadas de fuzil calibre 7,62 mm, em Campo Largo.

Na ocasião, dois integrantes do núcleo familiar foram flagrados durante o transbordo dos materiais de um caminhão para um veículo utilitário.

Onze dias depois, em Ourinhos (SP), a Polícia Militar paulista apreendeu outro carregamento ligado ao grupo. Foram encontrados 18 fuzis e carregadores, além de uma quantidade significativa de entorpecentes.

Empresas de fachada e identidades falsas

Conforme a PCPR, o líder do grupo teria utilizado uma identidade civil falsa para constituir uma transportadora de fachada, abrir contas bancárias, registrar veículos de alto valor e realizar negócios de grande porte.

Um dos filhos teria adotado estratégia semelhante, utilizando uma identidade paralela para constituir duas empresas. Uma delas funcionava formalmente na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, endereço que também é alvo de busca durante a operação.

As investigações apontam que drogas e armas eram escondidas em meio a cargas lícitas transportadas pelos caminhões da empresa. O grupo também utilizaria veículos chamados de “batedores”, que seguiam à frente das cargas para informar a localização de viaturas policiais e postos da Polícia Rodoviária Federal.

Investigação aponta movimentação de R$ 28,8 milhões

Na apuração financeira, a PCPR identificou movimentações consideradas incompatíveis com a capacidade econômica declarada pelos investigados. Somadas, as transações chegaram a aproximadamente R$ 28,8 milhões em créditos.

A transportadora apontada como núcleo logístico teria recebido R$ 2,5 milhões em 2025. Já outra empresa ligada à família movimentou R$ 4,2 milhões em créditos entre 2025 e 2026, embora tenha declarado faturamento de pouco mais de R$ 34 mil.

Um dos filhos teria recebido individualmente R$ 1.145.530,90 no período, incluindo mais de R$ 393 mil em saques em espécie e depósitos realizados em agências bancárias do Rio de Janeiro e Angra dos Reis.

A PCPR também identificou um suposto elo financeiro entre o núcleo familiar paranaense e uma facção criminosa do Rio de Janeiro, por meio de uma empresa formalmente registrada nos segmentos de serralheria e vidraçaria.

Segundo a investigação, essa empresa movimentou mais de R$ 17 milhões em créditos somente em 2025 e teria quitado à vista um veículo posteriormente utilizado no transporte de drogas entre Maringá e Curitiba.

O responsável formal pela empresa, apontado como encarregado do controle financeiro da organização criminosa, teria declarado renda mensal de R$ 1,5 mil, mas movimentado R$ 3.656.004,29 em créditos.

A investigação ainda identificou a aquisição de uma aeronave, a contratação de obras para um hangar em Foz do Iguaçu e a compra de uma cota em um clube de voo no interior de São Paulo por R$ 989,5 mil.

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