OPINIÃO

Qual é o custo da sustentabilidade?

*Katia Fiebich Peroni

Em dezembro de 2009, a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) criou o Dia Internacional da Terra, celebrado todo dia 22 de abril. O foco era estimular tomadores de decisão e a comunidade em geral a adotar atitudes e ações que estivessem mais em harmonia com a natureza, visto que as práticas atuais têm nos levado ao rápido esgotamento de recursos naturais, degradação ambiental e mudanças climáticas graves.

O tema escolhido em 2023, “Investir no nosso planeta”, indica que é preciso maior aplicação de capital e esforços em prol da sustentabilidade, visto que há urgência em inovar e implementar melhorias em nossa relação com os recursos naturais que nos são disponíveis. A direção escolhida tem tudo a ver com outro tema que tem chamado a atenção de empresas e instituições mundo afora: as práticas ESG, ou seja, iniciativas que atendam aos eixos de sustentabilidade ambiental, social e de governança corporativos.

Atender a essas práticas nem sempre exige iniciativas custosas, mas demanda uma mudança no pensamento e inovação em políticas internas, ações e direcionamento de investimentos. Nos últimos anos, a discussão sobre o aquecimento global e as mudanças climáticas tem ganhado cada vez mais destaque em todo o mundo. O aumento da temperatura global, eventos climáticos extremos, o derretimento das calotas polares e o aumento do nível do mar são alguns dos fenômenos que têm causado grande preocupação entre cientistas e governos, sem contar os prejuízos e perigos para a população em geral.

Para enfrentar essa questão complexa, uma das soluções mais promissoras é a descarbonização do planeta, ou seja, a redução das emissões de gases de efeito estufa na atmosfera. O investimento em fontes de energia renováveis e ambientalmente sustentáveis para reduzir e até substituir fontes de energia como o carvão e o petróleo é mandatório para ter sucesso nessa empreitada. Incentivar o desenvolvimento e uso de tecnologias limpas e renováveis, como a energia solar, eólica e hidrelétrica, por exemplo, são caminhos que muitos países já estão adotando com bastante sucesso.

O custo da implementação dessas tecnologias traz benefícios em médio e longo prazo, tanto para o meio ambiente quanto para sociedade e a economia. Além de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, a adoção de fontes de energia limpa tem gerado novas oportunidades de negócios e empregos em diversos setores, contribuindo para o desenvolvimento sustentável, alinhado à agenda ESG. Essa já se tornou nossa realidade, enquanto instituto de ciência e tecnologia voltado para o mercado ESG.

No entanto, é importante destacar que a transição para uma economia de baixo carbono não é uma tarefa fácil. É necessário um esforço conjunto de governos, empresas e sociedade em geral para garantir a implementação de políticas e práticas sustentáveis.

Nesse sentido, é preciso que os governos assumam um papel de liderança na definição de políticas públicas que incentivem a transição para uma economia de baixo carbono. Isso inclui a criação de incentivos fiscais para empresas que investem em energias renováveis e a regulamentação de práticas sustentáveis em setores como transporte e construção.

Por sua vez, as empresas também têm um papel fundamental nessa transição. É importante que elas assumam uma postura responsável e adotem práticas sustentáveis em suas operações, desde a redução do consumo de energia e água até repensar os materiais utilizados em produtos que oferecem ao público e os impactos que causarão no planeta.

Além de garantir a sustentabilidade do Planeta Terra, como o conhecemos, a adoção de tecnologias limpas também traz vantagens competitivas para as empresas, tornando-as mais atraentes para investidores e consumidores que valorizam a sustentabilidade. Dessa forma, todo o custo de mudanças e das adaptações necessárias para alcançarmos processos produtivos e práticas mais sustentáveis, se torna investimentos essenciais não somente para o meio ambiente, mas para todos nós.

*Katia Fiebich Peroni é diretora administrativo-financeira do Lactec, um dos maiores centros de pesquisa, tecnologia e inovação do Brasil.

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