Moraes autoriza Bolsonaro a ter acesso total às provas em processo sobre tentativa de golpe

Ministro do STF também permitiu que todas as testemunhas indicadas pela defesa do ex-presidente e de aliados sejam ouvidas
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quarta-feira (30) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tenha acesso integral às provas coletadas pela Polícia Federal (PF) no processo que investiga uma trama golpista ligada às eleições de 2022.
Além de Bolsonaro, a decisão também contempla outros réus da ação penal, como o general Augusto Heleno e o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do então presidente.
Acesso garantido com restrições a dados pessoais
Na decisão, Moraes ressaltou que documentos com dados íntimos ou da vida privada dos envolvidos permanecerão sob sigilo, e as defesas deverão fazer pedidos específicos para acesso a esse tipo de conteúdo. A PF também deverá indicar a melhor forma de disponibilizar os materiais para as defesas e à Procuradoria-Geral da República (PGR).
“A Polícia Federal deverá manter sigilosos eventuais documentos, mídias, áudios e vídeos que contenham fatos íntimos e ligados à vida privada de todos os denunciados”, escreveu Moraes.
Avanço da fase de instrução
A decisão marca o início da fase de instrução do processo, quando são produzidas provas, ouvidas testemunhas e colhidos os depoimentos dos réus. Ao final, a Primeira Turma do STF julgará o caso e decidirá individualmente pela condenação ou absolvição dos acusados.
Testemunhas autorizadas
Moraes também autorizou a oitiva de todas as testemunhas indicadas pelas defesas dos réus do chamado “núcleo 1” da ação penal — grupo que inclui nomes ligados diretamente ao alto escalão do governo Bolsonaro.
Entre os autorizados a apresentar testemunhas estão:
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Jair Bolsonaro
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Walter Braga Netto (general)
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Augusto Heleno (general)
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Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa)
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Almir Garnier (ex-comandante da Marinha)
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Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin)
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Anderson Torres (ex-ministro da Justiça)
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Mauro Cid (tenente-coronel e delator)
A investigação apura a organização e articulação de um suposto plano para contestar e anular o resultado das eleições de 2022, nas quais Bolsonaro foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva.