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Venezuelanos deportados por Trump a El Salvador relatam tortura, diz relatório

Francisco Gomez de Villaboa/WWD via Getty Image

Documento da Human Rights Watch descreve detenções no presídio de segurança máxima Cecot, com incomunicabilidade, espancamentos e violência sexual antes da repatriação

Um relatório da Human Rights Watch afirma que mais de 252 venezuelanos deportados dos Estados Unidos para El Salvador relataram tortura e outros abusos, incluindo agressões sexuais, durante o período em que ficaram detidos no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot). Segundo a organização, os detidos permaneceram incomunicáveis por meses e só deixaram o presídio no dia 18, quando foram enviados à Venezuela em uma troca de prisioneiros.

Com a promessa de endurecer o combate à imigração ilegal, o governo de Donald Trump promoveu deportações em massa no início do ano. O relatório, com 81 páginas, reúne entrevistas com 40 pessoas que passaram pelo Cecot e outras 150 com informações consideradas confiáveis, entre familiares e advogados.

As autoridades dos Estados Unidos e de El Salvador classificaram a maioria dos deportados como “terroristas”, associando-os ao Tren de Aragua, organização criminosa venezuelana apontada como terrorista pelos EUA. A HRW, porém, relata padrões de maus-tratos: espancamentos recorrentes, violência sexual, castigos por infrações banais como falar alto, tomar banho fora do horário ou pedir atendimento médico. Detentos disseram que eram agredidos desde a chegada ao país e ao longo de toda a custódia.

Os relatos descrevem agressões por guardas e policiais antimotim em corredores dos módulos prisionais e em cela de isolamento conhecida como “a Ilha”. A HRW conclui que muitos desses atos configuram tortura à luz do direito internacional dos direitos humanos.

A divulgação do documento reacende o debate sobre devida diligência em deportações, condições carcerárias e obrigação de proteger solicitantes de asilo contra devoluções a locais onde corram risco de tortura ou tratamentos cruéis.

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