Mãe denuncia ameaças após repercussão de crise de adolescente do espectro autista, em escola de Cascavel
Família afirma que estudante com autismo e TOD passou a ser alvo de ataques nas redes sociais após divulgação de caso ocorrido em colégio estadual

Uma crise apresentada por um adolescente de 13 anos na última quinta-feira (18), em um colégio de Cascavel, ganhou repercussão nas redes sociais e passou a preocupar a família devido aos desdobramentos do caso. Segundo a mãe do estudante, Janete Loeblein Kriger, o filho e outros familiares passaram a receber ameaças após a divulgação de uma notícia informando que o jovem teria entrado em surto depois de ter o celular recolhido no Colégio Estadual Jardim Consolata.
De acordo com Janete, a forma como o episódio foi retratado acabou gerando julgamentos e comentários ofensivos nas redes sociais. Ela afirma que tentou entrar em contato com o veículo responsável pela publicação para apresentar sua versão dos fatos, mas diz que não foi compreendida e que chegou a ser insultada durante a conversa.
O adolescente realiza acompanhamento psiquiátrico e possui diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1 de suporte e Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD).
“Como mãe, tenho medo que aconteça alguma coisa com o meu filho na rua. Ele já tem 13 anos, sai sozinho, brinca com amigos, vai à casa da avó. Esse é o meu receio, porque as pessoas estão ameaçando muito no Facebook por causa dessa matéria que, na nossa visão, não representou corretamente o que aconteceu”, afirmou.
A mãe explica que o jovem conhece as regras da escola e sabe que o uso do celular em sala de aula é proibido. Segundo ela, o estudante sempre seguiu as orientações dos professores e costumava entregar o aparelho quando solicitado.
“Celular é proibido, todos sabem disso. Nós, pais, sabemos, e ele também sabe. Sempre entregou o celular quando solicitado. Mas aquele foi um dia específico em que ele não estava bem”, relatou.
Janete destaca que pessoas com autismo podem apresentar reações intensas durante momentos de crise, especialmente quando são retirados objetos que representam segurança ou conforto emocional.

“Naquele dia, quando a professora retirou o celular da mão dele, ele entrou em uma crise agressiva. Sim, ele foi agressivo, mas estava em crise. Muitas pessoas não entendem isso e acabam julgando crianças e adolescentes como mal-educados, delinquentes ou pessoas de mau caráter”, afirmou.
Segundo a mãe, a família não teve oportunidade de apresentar sua versão dos fatos antes da repercussão do caso. Ela relata que diversas mensagens ofensivas e ameaças foram registradas e armazenadas por meio de capturas de tela, que poderão ser utilizadas em eventuais medidas judiciais.
“Eu não vou admitir que as pessoas entrem em uma rede social e falem o que quiserem sem responsabilidade. Vamos buscar os nossos direitos e tomar as medidas cabíveis, porque fomos ofendidos e ameaçados. Não vou aceitar que isso aconteça com ninguém”, declarou.
Janete também faz um alerta sobre os desafios enfrentados por famílias de pessoas com autismo e afirma que, apesar dos discursos sobre inclusão, ainda existe falta de compreensão por parte da sociedade.
“Fala-se muito em inclusão, mas, na prática, ela ainda não acontece como deveria. Não estou aqui para julgar ou condenar ninguém. Só quero que as pessoas entendam que, assim como eu estou sofrendo, muitas outras mães também sofrem. Quem convive com uma pessoa autista sabe que não é fácil. É uma luta diária, de manhã à noite, todos os dias da semana”, concluiu.
