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Separadas pelo destino, unidas pelo sangue: irmãs se reencontram em Cascavel após 76 anos

História começou em Laranjeiras do Sul, em 1950, quando as duas foram entregues a famílias diferentes; abraço no Aeroporto de Cascavel emocionou familiares e testemunhas
Foto: Luiz Carlos da Cruz

Algumas esperas duram dias. Outras, meses. A de Geralda Silva e Cheila Aparecida Martins atravessou 76 anos.

Na manhã desta sexta-feira (19), no Aeroporto de Cascavel, no Oeste do Paraná, duas irmãs que foram separadas ainda crianças finalmente puderam se abraçar novamente. O reencontro, aguardado por uma vida inteira, foi marcado por emoção, lágrimas contidas, mãos trêmulas e pela certeza de que o tempo pode afastar pessoas, mas nem sempre consegue romper os laços de sangue.

Geralda, de 76 anos, e Cheila, de 79, não se viam desde a infância. Na verdade, mal tiveram a oportunidade de conviver. A história das duas começou em 1950, em Laranjeiras do Sul, quando a separação dos pais mudou completamente o rumo de suas vidas.

Naquele ano, a mãe, Josefa, entregou as filhas a famílias diferentes. Cheila tinha apenas três anos de idade. Geralda era um bebê de nove meses. O irmão do meio, Adão Kaliskievcz, permaneceu com a mãe biológica, mas faleceu anos depois, aos 35 anos.

A partir daquele momento, os caminhos das irmãs seguiram rumos distintos.

Cheila foi adotada por uma família que primeiro viveu em Foz do Iguaçu e depois se estabeleceu no Rio Grande do Sul. Geralda permaneceu em Laranjeiras do Sul, onde foi criada por outra família.

Apesar das circunstâncias da adoção, Geralda guarda gratidão pela infância que teve.

“Fui muito bem cuidada, não tenho do que reclamar. Posso dizer que fui muito bem criada e amada”, conta.

Aos 25 anos, ela chegou a reencontrar a mãe biológica e tentou reconstruir a relação, mas a aproximação não prosperou. Do pai, nunca mais teve notícias.

Durante décadas, as irmãs viveram sem qualquer contato, sem saber ao certo onde a outra estava e sem imaginar que um dia voltariam a se encontrar.

Mas o destino começou a mudar em março deste ano.

Foi buscando informações sobre as origens da família que Leandro, um dos três filhos de Geralda, decidiu investigar o sobrenome Kaliskievcz, herdado do pai biológico das irmãs. A procura o levou até Adão Kaliskievcz Júnior, filho do irmão das duas mulheres e morador de Cascavel.

Foi ele quem forneceu o contato de Cheila, residente em Pelotas, no Rio Grande do Sul.

Com o telefone em mãos, Geralda não perdeu tempo.

Ela ligou para a irmã imediatamente.

Foi a primeira conversa entre as duas em mais de sete décadas.

A confirmação definitiva veio por meio do registro de nascimento de Cheila. O documento enviado à irmã trouxe as informações que faltavam para eliminar qualquer dúvida. Elas eram, de fato, irmãs biológicas.

A vontade de se encontrarem era imediata, mas precisou ser adiada. Cheila tinha uma viagem programada para a Alemanha, e o reencontro acabou marcado para esta sexta-feira.

Desde então, a ansiedade tomou conta da família.

Nos dois dias anteriores ao encontro, Geralda praticamente não conseguiu dormir. Na área de desembarque do aeroporto, acompanhada do marido, Sebastião Alves Silva, com quem é casada desde 1973, ela segurava uma fotografia da irmã enquanto aguardava a chegada do voo.

As mãos tremiam. O olhar permanecia fixo na porta de desembarque.

Ela havia prometido que não choraria.

Mas bastou ver a irmã surgir acompanhada do marido, Juvenal Martins, para que a emoção tomasse conta do ambiente.

O abraço foi longo.

Silencioso em alguns momentos, emocionante em todos eles.

“Temos um monte de programação. Hoje vamos almoçar na casa da minha cunhada, dar umas voltas para depois ir para casa”, disse Geralda, já planejando os próximos dias ao lado da irmã.

Cheila também teve dificuldade para encontrar palavras que traduzissem o que sentia.

“A vida nos separou e, 76 anos depois, Deus nos uniu”, afirmou.

Ainda emocionada, ela resumiu o significado daquele instante.

“A emoção está grande. Agora a gente tem que se curtir um pouco.”

Depois de mais de sete décadas de distância, as duas sabem que não é possível recuperar o tempo perdido. Mas podem criar novas memórias.

E foi exatamente isso que começou naquela manhã de sexta-feira: uma nova história para duas irmãs que o destino separou na infância, mas que a vida encontrou uma forma de reunir novamente.

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