ARQUIVO NACIONAL

Brasil e os registros oficiais de OVNIs: o relatório que marcou a história da Aeronáutica

Documento desclassificado em 2001 revela mais de 600 ocorrências registradas entre 1954 e 2000, com destaque para a “Noite Oficial dos OVNIs” de 1986

O Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA) reuniu, em um relatório elaborado em 9 de fevereiro de 2001, o mais completo levantamento oficial já produzido sobre ocorrências de Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs) em território nacional. O documento, classificado como sigiloso até o início dos anos 2000, contabiliza 662 registros feitos entre 1954 e 2000, vindos de todo o país — tanto de observadores em solo quanto de pilotos e controladores de voo

 

Um retrato histórico das ocorrências

Segundo o relatório, os estados com maior número de relatos foram o Pará (20,09%), Distrito Federal (15,26%), São Paulo (15,11%) e o Paraná (12,54%), evidenciando que os episódios se espalharam por diferentes regiões. O auge dos registros ocorreu entre 1977 e 1997, período em que o país viveu verdadeira “febre ufológica”, impulsionada por casos de repercussão nacional, como o da Ilha de Colares (PA), em 1977, e a Noite Oficial dos OVNIs, em 1986, quando caças da Força Aérea Brasileira perseguiram luzes não identificadas sobre São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília

 

Formatos e métodos de observação

Os objetos foram descritos em diversos formatos: circular (31,4%), em forma de luz (31,2%), oval (9,6%), em forma de chapéu (4,2%) e triangular (1,6%). Em alguns casos, houve correlação com detecção por radar — sinalizada no relatório como “Luz/Plot Radar” —, o que sugere acompanhamento simultâneo por instrumentos de bordo e observação visual

A maioria das ocorrências foi observada a olho nu (75%), enquanto 3,6% foram acompanhadas por radar e 2,5% registradas em filmagens ou fotografias.

 

Um acervo que virou patrimônio histórico

O documento ressalta que os relatos não foram submetidos a validação científica, sendo apresentados como registros de observação e não como provas de fenômenos extraterrestres. Ainda assim, o arquivo do COMDABRA representa um marco da história da ufologia oficial no Brasil, especialmente após a desclassificação em 2001, que permitiu sua inclusão no acervo público de pesquisas ufológicas.

 

O legado

O “Relatório de Ocorrências de OVNI” consolidou o Brasil como um dos poucos países do mundo a manter registros sistemáticos sobre o tema. Hoje, o material é frequentemente consultado por historiadores e estudiosos que buscam compreender não apenas os fenômenos aéreos não identificados, mas também o contexto político e social que cercou essas observações — desde a corrida espacial até os debates sobre segurança nacional durante o regime militar.

 

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