DESTAQUESBRASIL

Careca do INSS é acusado de usar empresa em Portugal para repassar dinheiro a Lulinha

@vinicius.foto

Ex-funcionário da World Cannabis diz à PF que lobista teria enviado milhões ao filho de Lula por meio de negócio de maconha medicinal, mas admite não ter provas dos repasses

O lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, é acusado por um ex-funcionário de ter usado uma empresa ligada ao ramo de maconha medicinal para repassar dinheiro ao filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. As supostas transferências teriam ocorrido em Portugal, segundo relatos enviados às autoridades.

Antunes está preso desde setembro, apontado como articulador de um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, conhecido como “Farra do INSS”. Ele é sócio, junto com o filho, da World Cannabis, empresa sediada em Brasília e voltada ao mercado de cannabis medicinal.

VEJA NA CANTAGALO TV (Inscreva-se no canal) 

Apucarana – Desfile de 7 de Setembro na Década de 1970 

Show do Milhinho – Edição 02 

 As acusações envolvendo Lulinha foram feitas por Edson Claro, que trabalhou em um escritório da World Cannabis em São Paulo. Em depoimento à Polícia Federal, ele afirmou que o lobista teria repassado cerca de 25 milhões de reais ao filho do presidente, além de uma “mesada” de 300 mil reais.

De acordo com apuração relatada à PF, Claro não apresentou documentos que comprovem diretamente os repasses a Fábio Luís. Ele disse não conhecer pessoalmente Lulinha e citou como peça-chave nas conexões a empresária Roberta Luchsinger, herdeira de um banco suíço e ligada ao PT, que teria atuado ao lado do Careca do INSS em lobby para uma empresa de saúde.

Relatos indicam que Roberta teria recebido diversos presentes do lobista, inclusive roupas para cachorro, e funcionaria como ponte entre Antunes e o filho do presidente. Roberta ficou conhecida nacionalmente ao prometer doar 500 mil reais a Lula, na época em que o petista teve bens bloqueados durante a Operação Lava Jato.

A coluna apurou que o depoimento de Edson Claro foi compartilhado com a CPMI do INSS. O ex-funcionário se reuniu com o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), e com o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), para relatar o que diz saber sobre o esquema.

Claro atua há décadas na área de medicamentos e afirma ter pedido demissão da World Cannabis após a Operação Sem Desconto, deflagrada pela PF em abril para investigar fraudes no INSS. Depois disso, conta que ainda se encontrou algumas vezes com o lobista para tentar reaver bens que estariam em poder de Antunes.

Procurado, Edson Claro preferiu não se manifestar. Lulinha, que se mudou para Madri, na Espanha, em meados deste ano, também não comentou as acusações até o momento. A defesa dele e os demais citados seguem com espaço aberto para apresentar suas versões.

Na CPMI do INSS, um requerimento apresentado por parlamentares do partido Novo tentou convocar Lulinha para depor, com base nos indícios de ligação entre operadores do esquema e pessoas próximas ao presidente da República. A comissão, porém, rejeitou a convocação na quinta-feira 4 de dezembro, por 19 votos a 12.

Os deputados do Novo citam, em especial, o caso de Ricardo Bimbo, dirigente nacional do PT e coordenador de tecnologia da informação do partido, que teria recebido mais de 8,4 milhões de reais de uma empresa suspeita de atuar na “Farra do INSS”. No mesmo período, Bimbo pagou um boleto de pouco mais de 10 mil reais ao contador de Fábio Luís, o que levantou novas suspeitas entre os integrantes da comissão parlamentar mista.

Enquanto as investigações avançam na PF e na CPMI, o caso Careca do INSS continua no centro da crise que atinge o INSS e expõe possíveis ramificações políticas e empresariais ainda em apuração.

Deixe um comentário