ARQUIVO NACIONALDESTAQUES

Conflito agrário marcou Cantagalo em 1987 com a invasão da Fazenda Jarau

Cantagalo (PR) – Um relatório confidencial de 1988 revela os desdobramentos da invasão da Fazenda Jarau, em Cantagalo (PR), ocorrida em 16 de outubro de 1987. Cerca de 300 famílias de agricultores sem-terra ocuparam a propriedade de Irineu de Paula Mendes, dando início a um impasse que mobilizou autoridades, entidades rurais e a Igreja Católica.

Nos meses seguintes, duas reuniões foram realizadas na Casa de Líderes da Diocese de Guarapuava, com a presença de representantes do governo estadual, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), da União Democrática Ruralista (UDR), além de prefeitos, advogados e lideranças políticas da região. Entre os nomes citados estavam o então secretário de Segurança Pública do Paraná, Antônio Lopes de Noronha, o bispo Dom Albano Cavallin, o prefeito de Cantagalo, Guilherme de Paula Neto, e lideranças do Movimento dos Sem-Terra (MST).

Os trabalhadores reivindicavam vistoria do Instituto de Terras, a permanência no local sob alegação de improdutividade da área, retirada da polícia do processo de reforma agrária e até a derrubada da reserva florestal para cultivo. Já a Igreja sugeria maior acompanhamento pastoral, reconhecimento do movimento e definição de áreas para futuros assentamentos

O prefeito de Cantagalo alertava para o clima de “amargura e apreensão”, citando ameaças de saques ao comércio local. A UDR, por sua vez, pressionava o governo a executar rapidamente os despejos, sob pena de solicitar intervenção federal.

Apesar de uma decisão inicial de desocupação pacífica, os sem-terra resistiram após o episódio em Nova Cantu, onde um confronto com a polícia terminou em vitória do movimento. Lideranças como Valmor Marcomin afirmaram que resistiriam “mesmo a custo de sangue, porque é melhor morrer brigando do que morrer de fome”.

Em janeiro de 1988, diante da falta de solução, o proprietário acionou o Tribunal de Justiça do Paraná pedindo intervenção federal no estado, acusando o governo de negligência no cumprimento das ordens judiciais. O episódio tornou-se um dos símbolos da tensão fundiária no interior paranaense nos anos 1980.

CLIQUE AQUI PARA VER O DOCUMENTO CONFIDENCIAL

Deixe um comentário