Em “portunhol”, Maduro pede que brasileiros saiam às ruas em defesa da Venezuela

Presidente venezuelano agradece boné enviado pelo MST e convoca apoio popular no Brasil em meio à crescente pressão militar dos Estados Unidos.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fez um apelo direto aos brasileiros para que saiam às ruas em defesa da “paz e soberania” do país vizinho. A fala ocorreu nessa quinta-feira (4/12), durante participação em um programa da emissora TeleSUR, em meio ao aumento da pressão política e militar dos Estados Unidos na região.
Falando em “portunhol” – misturando português com espanhol –, Maduro agradeceu ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) por um boné enviado ao Palácio de Miraflores e tratou o gesto como símbolo da “unidade” entre os povos brasileiro e venezuelano.
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“Muito obrigado, Brasil, muito obrigado, MST. A vitória nos pertence. Viva a unidade do povo do Brasil, viva a unidade com o povo venezuelano. Povo do Brasil, saiam às ruas para apoiar a Venezuela em sua luta pela paz e soberania. Estou lhes dizendo toda a verdade: temos o direito à paz com soberania. Viva o Brasil”, declarou Maduro.
O apelo foi feito praticamente ao mesmo tempo em que os militares dos Estados Unidos anunciaram uma nova investida contra um barco no Pacífico Leste, sob a justificativa de combate ao tráfico internacional de drogas.
Escalada de tensão entre EUA e Venezuela
Nos últimos meses, Washington intensificou a presença militar em áreas próximas à costa venezuelana. De acordo com dados divulgados pelos Estados Unidos, ao menos 23 embarcações suspeitas de envolvimento com o narcotráfico já foram atacadas no Caribe e no Pacífico.
O governo americano afirma que as operações fazem parte de uma ofensiva contra cartéis de drogas que utilizam rotas marítimas para enviar entorpecentes ao território dos EUA.
Maduro, porém, afirma que o verdadeiro alvo é o seu governo. O presidente venezuelano é acusado pelas autoridades norte-americanas de liderar o cartel de Los Soles, grupo recentemente classificado como organização terrorista internacional pelos EUA.
Caracas nega todas as acusações e denuncia as ações militares como tentativas de desestabilizar o regime e violar a soberania venezuelana, em meio a um quadro já tenso de sanções econômicas e isolamento diplomático.
Ao convocar brasileiros às ruas, Maduro tenta ampliar a rede de solidariedade internacional, especialmente junto a movimentos sociais e setores da esquerda na América Latina, para reforçar o discurso de que a Venezuela estaria sob ameaça externa.