‘Era um irmão’, diz freira que quebrou protocolo no velório do Papa Francisco após visitar caixão pela 4ª vez
Irmã Geneviève, amiga próxima do pontífice, se emocionou ao relembrar a amizade com o Papa Francisco durante visita ao caixão
Irmã Geneviève Jeanningros, uma freira francesa de 81 anos que comanda um projeto de acolhimento a minorias em Roma, foi uma das figuras mais comoventes durante o velório público do Papa Francisco. Conhecida por quebrar o protocolo do Vaticano, Geneviève visitou o caixão do pontífice pela quarta vez nesta sexta-feira (25), em um gesto de despedida profundamente emocional. A freira, que se referiu ao Papa como “um pai, um irmão, um amigo”, ficou famosa por sua visita inicial, na quarta-feira (23), quando se aproximou do caixão e foi ajudada por um segurança para contornar o cordão de proteção.
“Fui até lá por eles também, porque muita gente me pediu para levar um pedaço deles comigo. Chorei por eles”, disse Geneviève, visivelmente emocionada. Ela revelou ainda que, durante sua visita, rezou em silêncio diante do caixão do Papa e, ao final, mandou-lhe um beijo com a mão.

Geneviève, membro da fraternidade religiosa Irmãzinhas de Jesus, tem uma longa amizade com o Papa Francisco, que começou logo após sua eleição. Ela é conhecida por seu trabalho com minorias sociais e tem liderado um projeto de acolhimento para essas populações em Roma. A freira vive modestamente em um trailer na periferia de Roma e tem sido uma presença importante para aqueles que mais precisam de apoio na capital italiana.
Encontro com Laura Esquibel, mulher trans conhecida do Papa
A visita de Geneviève ao caixão do Papa também contou com a companhia de Laura Esquibel, uma mulher trans paraguaia que teve encontros frequentes com o Papa Francisco, incluindo almoços e diálogos sobre questões sociais. Esquibel, que foi a primeira mulher trans a apertar a mão do Papa, compartilhou uma amizade especial com Francisco e inclusive enviava empanadas para ele. “Eu gostava muito dele, ele gostava das minhas empanadas”, disse Esquibel.
Afreira e seu trabalho com minorias sociais
Geneviève, que comanda o projeto “Irmãzinhas de Jesus”, sempre trabalhou para levar apoio a quem está à margem da sociedade, em especial a homossexuais, transexuais e outros grupos marginalizados. Sua vida e seu trabalho são um reflexo do carisma que ela herdou de Charles de Foucauld, de quem as Irmãzinhas de Jesus receberam sua missão.
Em 2024, Geneviève teve a oportunidade de levar um grupo de pessoas, incluindo homossexuais e transexuais, para uma audiência com o Papa Francisco. Ela destacou a importância de ir “onde a Igreja tem mais dificuldade de ir”, promovendo a inclusão e a aceitação.

A perda do Papa Francisco
Para Geneviève, a perda do Papa Francisco é um momento de grande tristeza. “Vai fazer falta para todos. Ele era mais do que um Papa, era um irmão para muitos de nós”, refletiu. Apesar das dificuldades de falar sobre o assunto, devido à dor da perda, a freira continua a ser uma presença importante na comunidade católica, fiel aos princípios de acolhimento e solidariedade que sempre defendeu.