EUA ameaça abandonar negociações de paz entre Rússia e Ucrânia

Presidente dos EUA, que prometeu acabar com a guerra em “menos de 24 horas”, agora pressiona líderes por acordo imediato; plano proposto impõe perdas territoriais à Ucrânia
Washington, EUA – A promessa de campanha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia em “menos de 24 horas” está sob forte ameaça. Nesta quinta-feira (17), o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que a administração Trump pode abandonar as negociações de paz, caso não haja avanços concretos nos próximos dias.
“Precisamos determinar muito rapidamente, e estou falando de uma questão de dias, se é ou não possível [um acordo de paz]”, declarou Rubio a jornalistas em Paris, onde se reuniu com autoridades da Ucrânia e de países europeus para discutir o futuro do conflito. “Se for, estamos dentro. Se não, então temos outras prioridades para focar também”, completou o secretário, evidenciando o clima de urgência e insatisfação no governo norte-americano.
Desde que assumiu o cargo, Trump se envolveu diretamente nas articulações para um cessar-fogo, mas os esforços têm esbarrado em obstáculos diplomáticos e desentendimentos públicos. Em fevereiro, um desentendimento entre Trump e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, ocorrido na Casa Branca, expôs fissuras na relação entre os países. Em março, foi a vez do presidente russo Vladimir Putin ser alvo de críticas por parte de Trump, que se mostrou irritado com a lentidão das negociações.
A proposta de paz apresentada por Trump, no entanto, é vista com desconfiança por Kiev. Segundo fontes diplomáticas, o plano impõe à Ucrânia a perda de parte de seu território atualmente ocupado pelas forças russas, além de exigir um acordo que concede aos EUA direitos sobre minerais estratégicos ucranianos. O Kremlin, por sua vez, não rejeitou formalmente o plano, mas tem utilizado a falta de consenso como justificativa para continuar sua ofensiva militar.
Com as tratativas empacadas, o governo americano vem redirecionando sua atenção para outra frente sensível da política externa: a guerra comercial com a China. Em meio à escalada de tarifas de importação e tensões diplomáticas, Washington tem priorizado o confronto econômico com Pequim como alternativa à paralisia no leste europeu.
A indefinição sobre a continuidade do envolvimento dos EUA nas negociações pela paz preocupa a comunidade internacional e lança dúvidas sobre o futuro do conflito, que já ultrapassou dois anos de duração e segue causando destruição e instabilidade geopolítica.