EUA podem lançar bombardeios na Venezuela nos próximos dias, avalia analista

Declaração de Trump sobre fechamento do espaço aéreo, somada a movimento de aeronave venezuelana na fronteira com o Brasil, eleva temor de ataques, segundo análise de Lourival Sant’anna, da CNN.
O clima de tensão na Venezuela se agravou neste fim de semana após novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e movimentações militares na região. Em análise ao Agora CNN, o analista de Internacional Lourival Sant’anna afirmou que os planos para bombardeios em território venezuelano já estariam prontos e que os ataques chegaram a parecer iminentes.
No sábado (29), Trump declarou que o espaço aéreo venezuelano deveria ser considerado “totalmente fechado”, em mensagem publicada na rede Truth Social. Ele se dirigiu a “todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas”, pedindo que considerem o fechamento total do espaço aéreo sobre e ao redor da Venezuela.
A fala ocorre em meio a informações de que os Estados Unidos já teriam planos prontos para realizar bombardeios no país governado por Nicolás Maduro. “Os planos para o bombardeio do território venezuelano já estavam prontos e os ataques pareciam iminentes hoje de manhã”, afirmou Lourival Sant’anna. “Quando veio esse post do presidente Trump, foi mais um elemento que tornava esses bombardeios bastante prováveis”, completou o analista.
Voo na fronteira com o Brasil aumenta especulações
Ao mesmo tempo, uma aeronave do regime venezuelano realizou um voo considerado “misterioso” até Santa Helena de Uairén, cidade na fronteira com o estado de Roraima, no Brasil. O trajeto foi registrado pela plataforma de monitoramento ADSB Exchange, partindo de Caracas, indo até a região de fronteira e retornando em seguida à capital venezuelana.
O avião é conhecido por já ter sido utilizado por Nicolás Maduro, o que alimentou especulações sobre uma possível fuga do presidente. Até o momento, porém, o comando do Exército brasileiro na região de fronteira afirma não ter informações que confirmem essa hipótese.
Reportagem recente do jornal Washington Post chegou a levantar a possibilidade de que Maduro busque asilo na Turquia, país com o qual mantém relações estreitas.
Lourival Sant’anna avalia que um eventual exílio de Maduro abriria novas questões para a diplomacia internacional:
“Precisaremos ver se, uma vez confirmada uma fuga de Nicolás Maduro, qual será o próximo passo do governo americano, se ele insistiria em uma extradição de Maduro, uma vez que existem vários processos por narcotráfico, corrupção e abuso de direitos humanos, ou se isso acomodaria os Estados Unidos”, analisou.
Reação venezuelana e alerta para companhias aéreas
A declaração de Trump foi duramente criticada pelo governo venezuelano. Em comunicado, o chanceler Yván Gil classificou a fala como uma “ameaça colonialista”, acusando Washington de tentar aplicar, de forma extraterritorial, uma “jurisdição ilegítima” sobre o espaço aéreo do país.
Segundo o comunicado, esse tipo de declaração representa “ato hostil, unilateral e arbitrário, incompatível com os princípios mais elementares do Direito Internacional” e integra uma “política permanente de agressão” contra a Venezuela. Caracas afirmou ainda que “não aceitará ordens, ameaças nem ingerências de nenhum poder estrangeiro”.
Na semana anterior, a agência reguladora de aviação dos Estados Unidos havia alertado as principais companhias aéreas para uma “situação potencialmente perigosa” ao sobrevoarem a Venezuela, em razão do agravamento da crise de segurança e do aumento da atividade militar dentro e ao redor do país.
Diante do cenário, a região segue em alerta, enquanto governos, companhias aéreas e organismos internacionais acompanham, com preocupação, os próximos passos de Washington e de Caracas.