Ex-presidente do INSS era chamado de “Italiano” em planilhas de propina, diz PF

Preso no dia 13, Alessandro Stefanutto é apontado como beneficiário de R$ 250 mil mensais pagos pela Conafer por meio de empresas e até pizzaria; investigação liga esquema a descontos indevidos em aposentadorias
A Polícia Federal afirma que Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, aparecia com o apelido “Italiano” em planilhas de propina vinculadas à Conafer (Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais). Preso no dia 13, ele é investigado por supostamente receber R$ 250 mil por mês em repasses feitos por empresas de fachada e até por uma pizzaria.
Segundo a PF, as planilhas trazem codinomes de outros agentes públicos. O ex-diretor de Benefícios do INSS André Fidelis era listado como “Herói A”, e o ex-procurador-geral Virgílio de Oliveira Filho como “Herói V”. Todos foram presos na mesma operação. A Conafer, de acordo com a investigação, descontou R$ 688 milhões de aposentados e mais de 90% desse montante teria sido escoado para empresas de fachada, abastecendo pagamentos ilícitos para manter acordos que autorizavam mensalidades associativas diretamente no contracheque dos beneficiários.
Os autos apontam que, em troca de influência dentro do INSS, Stefanutto recebeu propinas recorrentes por meio de estruturas como Stelo Advogados e Associados, Delicia Italiana Pizzas e Moinhos Imobiliária. O valor mensal teria sido elevado a R$ 250 mil quando ele assumiu a presidência do Instituto. A PF indica que quase todos os pagamentos ocorreram entre junho de 2023 e setembro de 2024, com um repasse isolado em outubro de 2022.
A apuração também sustenta que a gestão de Stefanutto foi negligente ao permitir que entidades continuassem a descontar dos aposentados e ao assinar atos que teriam facilitado novas filiações com biometria própria das associações. Um ano após a revelação do esquema, entidades ainda teriam retirado mais de R$ 2 bilhões de benefícios; apenas um acordo, de baixa arrecadação, foi cancelado no período.
A PF estima que as fraudes possam somar R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2025. Até agora, o governo informa ter devolvido cerca de R$ 2,5 bilhões a 3,7 milhões de aposentados atingidos pelos descontos indevidos.