Funcionária de UBS em Cantagalo registra boletim após tumulto e ameaça

Uma funcionária da unidade de saúde de Cantagalo compareceu à sede do pelotão da Polícia Militar para registrar boletim de ocorrência após um episódio de tumulto e ameaça ocorrido durante um mutirão de consultas com médico neurologista no município.
De acordo com o relato da vítima, ela auxiliava nos atendimentos na data dos fatos, quando um homem passou a causar desordem no local. Segundo informou, ao chegar para iniciar o expediente pela manhã, já havia várias pessoas aguardando atendimento, entre elas idosos e crianças autistas, que esperavam há horas.
Por se tratar de um mutirão, o atendimento estava sendo realizado por ordem de chegada, com fichas numeradas previamente distribuídas à população. A profissional explicou que o homem compreendeu inicialmente o funcionamento do sistema e que ficou combinado que ela o avisaria via WhatsApp quando estivesse próximo da vez do paciente que o acompanhava — o que, segundo ela, foi feito corretamente.
Entretanto, enquanto atendia os pacientes, o homem teria entrado em sua sala sem autorização, adotando postura autoritária e exigindo que um senhor fosse atendido antes dos demais. A funcionária informou que o paciente já estava devidamente cadastrado no sistema e aguardava apenas ser chamado pelo médico.
Ainda conforme o relato, o homem se alterou e saiu pelo corredor gritando frases como: “Da onde já se viu apenas um médico para atender todo mundo”, gerando tumulto e desinformação. A servidora destacou que se trata de um médico especialista e que o município é o único da região a oferecer esse tipo de atendimento.
Pouco depois, o mesmo indivíduo teria invadido novamente a sala, exigindo de forma agressiva o atendimento imediato do paciente indicado por ele. Nesse momento, segundo a vítima, ele proferiu a seguinte ameaça: “Esse senhor vai ser atendido agora ou você vai ver o que vai te acontecer”.
A funcionária afirmou ter ficado assustada, sem saber se a ameaça se referia ao seu emprego ou à sua integridade física, relatando ter sentido medo real diante da situação. Ao responder que ele não poderia agir daquela forma, o homem teria retrucado: “Tá achando ruim? Chama a polícia”.
Quando a profissional disse que acionaria a Polícia Militar, ele passou a xingá-la e saiu gritando para as demais pessoas presentes: “Olha aí, vai chamar a polícia pra mim! Chame, chame!”
Durante o ocorrido, o homem também teria afirmado ser uma pessoa pública e que as pessoas por ele indicadas deveriam ter prioridade no atendimento, tentando, segundo a vítima, usar sua posição para impor privilégios indevidos sobre os demais pacientes que aguardavam conforme a ordem de chegada.
Diante dos fatos, a funcionária decidiu registrar o boletim de ocorrência e manifestou intenção de representar posteriormente contra o autor. A parte foi orientada quanto aos demais procedimentos cabíveis.