Gastos com Bolsonaro desde 2023 já somam R$ 7,67 milhões em recursos públicos

Aposentadorias, salário partidário e estrutura oficial com oito assessores e dois carros compõem o pacote de benefícios mantido mesmo após a prisão do ex-presidente
Desde que deixou o Palácio do Planalto e passou à condição de ex-presidente da República, em 2023, Jair Bolsonaro (PL) já representa uma despesa de R$ 7,67 milhões aos cofres públicos. O valor reúne quatro fontes principais de gasto e renda vinculadas à sua figura pública e à estrutura que o cerca.
Veja como esse montante se distribui:
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Equipe de 8 assessores + 2 veículos oficiais: R$ 4,71 milhões
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Aposentadoria como capitão reformado do Exército: R$ 424 mil
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Aposentadoria como ex-deputado federal: R$ 1,28 milhão
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Salário como presidente de honra do PL (via Fundo Partidário): R$ 1,24 milhão
A maior fatia é justamente a estrutura mantida pela Presidência da República em torno dos ex-chefes do Executivo. Dados da Casa Civil mostram que, de 2023 até novembro de 2025, a União desembolsou R$ 4,71 milhões com a equipe de apoio de Bolsonaro, classificada sob o centro de custo de “medidas de segurança”.
Pela legislação, ex-presidentes têm direito a:
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até 4 servidores para segurança e apoio pessoal;
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2 assessores para atividades administrativas e políticas;
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2 motoristas;
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além de 2 veículos oficiais.
A Casa Civil confirma que Bolsonaro utiliza a cota máxima: oito assessores e dois carros oficiais. Os cargos são em comissão, de livre escolha do ex-presidente. E mesmo o início do cumprimento da pena definitiva, como líder da organização criminosa da trama golpista, não interrompe esse benefício.
Quanto custa manter a estrutura de segurança
Só com “medidas de segurança” ligadas ao ex-presidente, os gastos anuais foram:
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2023: R$ 1,95 milhão
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2024: R$ 1,79 milhão
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2025 (até novembro): R$ 994,5 mil
A queda em 2025 é associada ao agravamento da situação judicial de Bolsonaro: ao longo do ano, ele passou a enfrentar restrições mais duras, como proibição de sair do país, prisão domiciliar e, mais recentemente, prisão em regime fechado, o que reduz viagens e deslocamentos.
Dentro desse pacote, entram despesas como:
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diárias nacionais e internacionais;
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passagens aéreas;
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locação de meios de transporte;
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serviços de telefonia;
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manutenção, seguro, combustível e lubrificantes dos veículos oficiais.
Quando assessores, seguranças e auxiliares precisam acompanhar o ex-presidente em viagens, sobretudo internacionais, as designações são formalizadas pela Casa Civil e publicadas no Diário Oficial da União.
Três rendas todo mês
Embora não exista “salário de ex-presidente”, Jair Bolsonaro soma hoje três remunerações fixas, que juntas chegam a cerca de R$ 88,29 mil por mês:
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R$ 12.861,61 como militar reformado do Exército;
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R$ 41.563,98 de aposentadoria como ex-deputado federal;
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R$ 33.873,67 pagos pelo PL, onde ocupa o cargo de presidente de honra, com salário bancado pelo Fundo Partidário.
Documentos internos mostram que, em agosto, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, consultou o jurídico da sigla sobre a possibilidade de manter o pagamento mesmo com Bolsonaro em prisão domiciliar. A orientação foi para continuar depositando o valor normalmente.
Assim, entre aposentadorias, salário partidário e toda a estrutura oficial de equipe e veículos, o custo de Bolsonaro para o erário segue alto — mesmo após a condenação e o início da pena em regime fechado.