Governo adia exigência de biometria e expõe falhas no acesso a benefícios sociais
Novo prazo para emissão da Carteira de Identidade Nacional evidencia dificuldades estruturais e falta de preparo para atender a população

O governo federal voltou atrás e prorrogou o prazo para cadastro biométrico exigido na concessão de benefícios sociais, agora até 31 de dezembro de 2026. A medida, publicada por meio de portaria no Diário Oficial da União, revela um problema recorrente: a distância entre as exigências burocráticas e a realidade de milhões de brasileiros.
Inicialmente, o prazo se encerraria em abril, o que poderia excluir beneficiários que ainda não conseguiram emitir a nova Carteira de Identidade Nacional (CIN). A prorrogação evita um corte imediato, mas expõe a falta de estrutura e planejamento para garantir acesso universal ao documento.
Embora a biometria tenha como objetivo evitar fraudes, a exigência esbarra em dificuldades práticas, como falta de postos de atendimento, longas filas e limitações de acesso à internet — especialmente em regiões mais vulneráveis.
O governo também determinou que biometrias já existentes, como as do Tribunal Superior Eleitoral e da CNH, sigam válidas até 2027. A partir de 2028, apenas a CIN será aceita, o que levanta preocupação sobre uma possível exclusão futura de quem não conseguir se adequar.
Na prática, a decisão reconhece que o sistema ainda não está pronto para atender toda a população. Enquanto isso, cidadãos seguem enfrentando obstáculos para acessar direitos básicos, em um processo que deveria ser simples, mas ainda está longe de ser eficiente.
