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Há 40 anos, nascia em Cascavel o MST

A história de uma das cidades onde o agronegócio impera e movimenta a economia contrasta com a criação de um movimento que logo se tornou principal inimigo dos produtores rurais

Foto: Julia Dolce

Cascavel (PR) – Quem vê hoje o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) espalhado por todo o Brasil em invasões e ocupações em busca de um pedaço de chão para cultivar, não imagina que esse grupo controverso nasceu em uma das cidades onde o agronegócio impera e movimenta a economia. Há exatamente quatro décadas, no dia 22 de janeiro de 1984, uma reunião em Cascavel, no Oeste do Paraná, dava origem ao MST, movimento odiado pela maioria dos fazendeiros e produtores rurais.

Denominado de 1º Encontro Nacional, o encontro discutiu a transformação do campo, por meio da reforma agrária. De lá pra cá, o movimento cresceu, amedrontou, fez ações legítimas e ilegítimas em defesa do direito à terra e, depois de passar um período acuado durante o governo de direita do ex-presidente Jair Bolsonaro, o MST sai da toca com novas invasões e ocupações de terra pelo Brasil.

De acordo com o MST, o primeiro encontro em Cascavel contou com a presença de posseiros, atingidos por barragens, migrantes, meeiros, parceiros, pequenos agricultores, entre outros atores políticos. E foram eles que fundaram o Movimento, após a primeira ocupação de terra ocorrida no ano anterior na Encruzilhada Natalino.

Hoje, para comemorar os 40 anos, o MST realizou uma série de ações no Brasil, inclusive com fechamento de rodovia na Bahia. As mobilizações aconteceram em assentamentos e acampamentos e contou, também, com plantio de árvores e atividades pedagógicas nas escolas do campo.

De acordo com Rosmeri Witcel, da direção nacional do MST, a celebração das quatro décadas de existência tem o sentido de revisitar a memória, mas também de festejar e comemorar a existência, inclusive as lutas pela terra que antecedem o Movimento.

“Para nós é importante comemorar porque nesses 40 anos fomos aprendendo com nossa própria história, temos métodos de luta, princípios organizativos e buscamos o cultivo de valores humanistas. Celebrar nos traz ainda mais o desafio de continuarmos preservando a natureza, a terra e a diversidade como sinal da vida. Celebrar o aniversário tem o significado de estarmos vivos, cultivando a luta, valores humanistas e produzindo alimentos saudáveis para alimentar muitos povos”, afirma Witcel.

Atualmente o Movimento Sem Terra está organizado em 24 estados e conta com 400 mil famílias assentadas e cerca de 70 mil famílias acampadas. Nas áreas, o Movimento organiza mais de 1.900 associações, 185 cooperativas e 120 agroindústrias que atuam na produção, beneficiamento e comercialização da produção da Reforma Agrária Popular.

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