Indústria madeireira paranaense sofre com fechamento da Millpar em Quedas do Iguaçu

Quedas do Iguaçu (PR) – A indústria madeireira do Paraná recebeu um duro golpe nesta semana com o anúncio do encerramento das atividades da unidade da Millpar em Quedas do Iguaçu, na região central do estado. A decisão da empresa está diretamente ligada ao aumento das tarifas de importação aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, que passaram de 10% para 50%.
Segundo a companhia, o mercado norte-americano é o principal destino de sua produção, e a elevação das tarifas comprometeu drasticamente a competitividade das exportações. Sem condições de manter o fluxo de vendas ao exterior, a Millpar optou por fechar a operação em Quedas do Iguaçu, afetando trabalhadores e fornecedores locais. O número de funcionários desligados não foi divulgado.
Em comunicado, a empresa explicou que, inicialmente, havia concedido férias coletivas aos colaboradores como medida temporária. Contudo, a persistência do aumento tarifário levou à adoção de medidas mais drásticas. A principal unidade da Millpar, em Guarapuava, segue em funcionamento, mas também passou por redução no quadro de funcionários.
O CEO da empresa, Ettore Giacomet Basile, destacou:
“Estamos tomando decisões extremamente difíceis, mas necessárias para manter a sustentabilidade do negócio e preservar parte dos postos de trabalho. Lamentamos perder excelentes colaboradores, mas temos de pensar também naqueles que permanecem.”
A empresa informou que, além dos direitos trabalhistas previstos em lei, concedeu benefícios extras aos demitidos, como auxílio-alimentação temporário, apoio psicológico e orientação para recolocação no mercado.
Repercussão local
O prefeito de Quedas do Iguaçu, Rafael Moura, lamentou o fechamento da unidade e ressaltou a importância histórica da Millpar para a economia local:
“Recebemos com muita tristeza o encerramento das atividades da Millpar. Quando uma empresa fecha as portas, muitos sonhos também se perdem. A geração de empregos é a melhor forma de desenvolver uma comunidade.”
Apesar do impacto, Moura acredita que a mão de obra será absorvida rapidamente pelo município, que vive um “bom momento econômico”. Segundo ele, outras empresas demonstram interesse em se instalar na cidade.
Em Guarapuava, a prefeitura também se manifestou, mas direcionou críticas ao governo federal, destacando que políticas nacionais têm impactado negativamente a indústria e o trabalhador.
Setor em alerta
A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) acompanha a situação e alerta que as medidas recentes do governo brasileiro para amenizar o impacto das tarifas americanas são apenas paliativas. A entidade defende que apenas negociações diretas entre Brasil e EUA poderão corrigir o desequilíbrio.
De acordo com a Millpar, o setor madeireiro exportou US$ 1,6 bilhão para os Estados Unidos em 2024. Com a tarifa atual, cerca de 180 mil empregos diretos no país estão em risco, tornando o problema um desafio tanto para a indústria quanto para o governo federal, que precisará buscar soluções diplomáticas.
Basile ressaltou a resiliência da empresa:
“A Millpar já enfrentou grandes desafios antes e, nesses momentos, reforçamos nossa capacidade de adaptação. A intermediação governamental será essencial para restabelecer condições justas de comércio.”
Com informações da Gazeta do Paraná