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Inflação na Argentina acelera em novembro e supera expectativa do mercado

Tomas Cuesta/Getty Images

Índice anual avançou para 31,4% e quebrou sequência de queda desde abril; alta mensal foi de 2,5%, puxada por habitação, transporte e alimentos, no governo Javier Milei.

A inflação na Argentina voltou a acelerar em novembro e veio acima do esperado pelos analistas. Dados divulgados nessa quinta-feira (11) pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) mostram que a taxa anual chegou a 31,4%.

Em outubro, o índice acumulado em 12 meses estava em 31,3%. É a primeira vez, desde abril de 2024, que a inflação anual registra aceleração no país governado pelo ultraliberal Javier Milei.

Na comparação mensal, a inflação de novembro ficou em 2,5%, ligeiramente acima dos 2,3% de outubro.

Os números vieram acima das projeções do mercado, que esperava alta de 2,4% no mês e 30,9% no acumulado em 12 meses.

Setores que mais subiram

Entre os grupos de produtos e serviços pesquisados, as maiores altas de novembro foram:

  • Habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis: 3,4%

  • Transporte: 3%

  • Alimentos e bebidas não alcoólicas: 2,8%

  • Comunicação: 2,7%

  • Bens e serviços diversos: 2,5%

Os reajustes em itens básicos do dia a dia e em tarifas de serviços essenciais seguem pressionando o bolso dos argentinos, mesmo após períodos de desaceleração do índice ao longo do ano.

Contexto político e econômico

Os dados oficiais de inflação foram divulgados cerca de dois meses depois das eleições legislativas realizadas no fim de outubro. O partido de Milei, o La Libertad Avanza, saiu fortalecido da disputa, dobrando a representação na Câmara dos Deputados e no Senado.

A vitória da coalizão contou com forte apoio do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, segundo o texto, teria garantido um aporte de US$ 20 bilhões à Argentina por meio de operações financeiras e cambiais, com o objetivo de ajudar na estabilização econômica do país.

Mesmo com o reforço externo, o desafio do governo Milei segue sendo o mesmo: controlar a inflação, aliviar a perda de poder de compra da população e recuperar a confiança dos investidores sem aprofundar a crise social.

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