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ECONOMIADESTAQUES

Inflação sobe para 4,17% em 2026 e mercado projeta juros mais altos, aponta Focus

Mesmo dentro da meta, IPCA tem nova alta em meio a tensões internacionais; Selic deve encerrar ano em 12,5%
© Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

A previsão da inflação oficial do Brasil para 2026 voltou a subir e passou de 4,1% para 4,17%, segundo o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (23) pelo Banco Central. Esta é a segunda semana consecutiva de elevação nas estimativas, em um cenário marcado por incertezas no mercado internacional, especialmente devido às tensões no Oriente Médio.

Apesar da alta, a projeção do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ainda permanece dentro do intervalo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, fixada em 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

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Os dados mais recentes mostram que, em fevereiro, a inflação foi de 0,7%, impulsionada principalmente pelos setores de transportes e educação. No entanto, o acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

Para os anos seguintes, o mercado mantém expectativa de inflação controlada, com projeção de 3,8% em 2027, 3,52% em 2028 e 3,5% em 2029.

Juros sob pressão

Para conter a inflação, o Banco Central utiliza como principal ferramenta a taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 14,75% ao ano. Na última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual, em decisão unânime.

O corte foi mais tímido do que o esperado pelo mercado, que previa redução de 0,5 ponto percentual antes do agravamento das tensões internacionais. Diante desse cenário, o Banco Central adotou uma postura mais cautelosa e não descarta rever o ritmo de queda dos juros.

As projeções do mercado para a Selic também foram ajustadas. A expectativa agora é de que a taxa encerre 2026 em 12,5% ao ano, acima dos 12,25% previstos anteriormente. Para 2027, a estimativa é de queda para 10,5%, com recuo gradual até 9,5% em 2029.

A elevação dos juros é utilizada para conter o consumo e controlar os preços, ao encarecer o crédito e incentivar a poupança. Por outro lado, juros mais baixos tendem a estimular a economia, com aumento do consumo e da produção.

Crescimento e dólar

O boletim Focus também trouxe leve revisão nas projeções para o crescimento econômico. A expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 passou de 1,83% para 1,84%. Para 2027, a previsão é de expansão de 1,8%, enquanto para 2028 e 2029 o crescimento estimado é de 2% ao ano.

Em relação ao câmbio, o mercado projeta que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,40, com leve alta para R$ 5,45 ao fim de 2027.

Os dados reforçam um cenário de estabilidade com cautela, em que a economia brasileira segue crescendo, mas ainda sob influência de fatores externos e incertezas globais que impactam diretamente as decisões de política monetária.

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