Jovem brasileiro de 23 anos some em combate na Ucrânia
Fuzileiro naval de 23 anos deixou São Luís neste ano para atuar na guerra contra a Rússia; Exército ucraniano comunicou desaparecimento em missão de combate
A família do maranhense Elton Francisco de Araújo Cardoso, de 23 anos, vive dias de angústia após ser informada de que o jovem desapareceu durante um combate na guerra entre Ucrânia e Rússia em 25 de novembro. Fuzileiro naval, ele deixou o Brasil no início deste ano para atuar na linha de frente do conflito no Leste Europeu.
Segundo a irmã, a advogada Hane Letícia Araújo, Elton viajou em maio dizendo que viveria na Polônia. Aos poucos, porém, os familiares passaram a desconfiar de que ele estava na Ucrânia. O código de ligação internacional nas chamadas e publicações de amigos nas redes sociais, com bandeiras do Brasil e da Ucrânia lado a lado, reforçaram a suspeita de que ele havia se alistado para a guerra.
Mesmo assim, Elton nunca admitiu diretamente que estava em área de conflito. Morando em São Luís, a mãe do jovem mantinha contato diário com o filho por mensagens, fotos e chamadas de vídeo. Ele costumava avisar quando ficaria sem falar, sempre justificando com compromissos de trabalho.
No domingo, 23 de novembro, Elton enviou uma selfie para tranquilizar a mãe. Na segunda, ainda respondeu a um bom dia. A partir de terça-feira, 25 de novembro, as mensagens deixaram de ser lidas e o silêncio fez a família acionar amigos e conhecidos que estiveram com ele no país europeu.
A confirmação oficial veio em 1º de dezembro. A Unidade Militar A3449 das Forças Armadas da Ucrânia enviou um ofício à Embaixada do Brasil em Kiev comunicando o desaparecimento do brasileiro durante uma missão na região de Stepnohorsk. No documento, o Exército ucraniano afirma que Elton Francisco de Araújo Cardoso está desaparecido em combate desde 25 de novembro de 2025 e promete informar qualquer atualização diretamente à representação diplomática brasileira.
Apesar de o texto falar apenas em desaparecimento, a família recebeu relatos extraoficiais de brasileiros e combatentes que atuaram ao lado de Elton. Segundo esses relatos, ele teria sido atingido por militares russos e o corpo teria sido recolhido pelas tropas inimigas, o que aumenta a aflição dos parentes, que ainda não têm confirmação oficial de morte nem qualquer perspectiva de traslado.
“Eles só falam em desaparecido, mas as informações de quem estava lá é de que ele faleceu e que os russos pegaram o corpo. O consulado diz que presta apoio, mas ninguém me responde de forma clara”, desabafa a irmã. A família agora busca orientações sobre como proceder para reconhecer legalmente o óbito e registrar a situação no Brasil, já que sequer tem acesso ao corpo.
Elton é descrito pelos familiares como apaixonado pelas Forças Armadas, disciplinado e determinado. Desde que ingressou na carreira militar, dizia sonhar com a possibilidade de atuar em uma guerra. Pessoas que conviveram com ele relatam que o jovem buscava ser o melhor em tudo o que fazia e que tinha forte espírito de companheirismo. Para amigos e colegas, deixou um legado de lealdade, coragem e visão de mundo peculiar.
O Ministério das Relações Exteriores informou, por meio de nota, que o governo brasileiro foi notificado pelas autoridades ucranianas sobre o desaparecimento em combate do brasileiro e que a Embaixada do Brasil em Kiev presta assistência consular aos familiares.
Enquanto aguardam novidades, a mãe, a irmã e demais parentes seguem em São Luís tentando lidar com a dor da incerteza, sem saber ao certo se poderão se despedir de Elton ou quando terão uma resposta definitiva sobre o destino do jovem fuzileiro.
