Lula quer discutir guerra da Ucrânia com Trump e retomar papel de mediador internacional

Presidente busca reaproximação diplomática com os Estados Unidos e pretende recolocar o Brasil como articulador de diálogo entre Rússia e Ucrânia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou que pretende retomar o plano de colocar o Brasil como mediador na guerra entre Rússia e Ucrânia. A declaração foi feita nesta segunda-feira (27), durante entrevista coletiva na Malásia, após o encontro com o presidente norte-americano Donald Trump.
“Qualquer dia vou dizer pra ele que a gente pode resolver essa guerra da Rússia e Ucrânia”, afirmou o presidente, demonstrando entusiasmo após a reunião bilateral com o republicano durante a 47ª Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).
A iniciativa de Lula não é nova e reflete o desejo do governo brasileiro de ampliar sua presença diplomática e conquistar uma vaga no Conselho de Segurança da ONU. Desde o início do atual mandato, o petista tenta se colocar como mediador de conflitos, mas enfrentou resistência da Ucrânia. O presidente Volodymyr Zelensky afirmou, em maio, ter “perdido a confiança” no Brasil por considerar as posições de Lula favoráveis à Rússia.
O distanciamento entre os dois países se intensificou após Lula participar, em Moscou, das comemorações dos 80 anos da vitória soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. A relação próxima entre Brasil e Rússia, reforçada pelo bloco Brics e por acordos comerciais na área de energia, também contribuiu para o desgaste diplomático.
Com o novo diálogo com Trump, Lula vê uma oportunidade para reposicionar o Brasil como articulador global. Os Estados Unidos são o principal aliado da Ucrânia e têm sustentado o esforço de guerra de Kiev, embora demonstrem cansaço com os custos crescentes do conflito.
Durante o encontro, Lula também se colocou à disposição para mediar as tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela. “O presidente Lula levantou o tema, disse que a América Latina e a América do Sul são regiões de paz, e se prontificou a ser um contato, um interlocutor com a Venezuela para buscar soluções mutuamente aceitáveis”, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.