Lula volta do recesso e enfrenta crise da Venezuela e pendências no governo

Presidente deve antecipar retorno por causa da crise regional e ainda precisa tratar de indicação ao STF, relação com o Senado e mudanças na área de segurança pública.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve retornar a Brasília entre esta segunda (5) e terça (6), depois de dias de descanso na Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro. O início do ano, porém, já chega com pressão extra: a crise envolvendo a ofensiva dos Estados Unidos na Venezuela e a captura de Nicolás Maduro, no sábado (3), colocou o tema no topo da agenda do Planalto.
Ainda no sábado, ministros e auxiliares se reuniram em encontros de emergência para avaliar o cenário. O governo brasileiro confirmou participação em uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU prevista para esta segunda (5), com expectativa de manifestação do Brasil no debate.
No domingo (4), o Brasil também participou de uma reunião extraordinária de chanceleres da Celac. Ao final, o país divulgou uma posição conjunta com México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha, demonstrando preocupação e rejeição a ações militares e defendendo saída pacífica para a crise.
Lula, pessoalmente, também endureceu o tom nas redes, afirmando que a ação ultrapassou um limite e representa uma afronta à soberania venezuelana. O presidente já havia se colocado à disposição para mediar o impasse em contatos anteriores com Donald Trump, mas a escalada mudou o clima político e deve reverberar no debate interno, inclusive com olho na eleição de 2026.
Conversa com Alcolumbre e indicação ao STF
Além do cenário internacional, Lula tem pendências com o Congresso. Uma delas é a entrega ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, da mensagem oficial de indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF. O envio é necessário para destravar o rito de sabatina na CCJ e a votação no plenário.
Nos bastidores, aliados avaliam que Lula quer fazer essa entrega em mãos para reduzir ruídos com o comando do Senado, após tensões recentes envolvendo a articulação política e pautas que avançaram em ritmo acelerado no fim do ano.
Mudanças na área de segurança
Outra frente sensível é a possibilidade de desmembrar o Ministério da Justiça e Segurança Pública, recriando uma pasta exclusiva para o tema da segurança. Integrantes do governo defendem que qualquer mudança seja feita no momento certo, com a tramitação da PEC da Segurança Pública caminhando no Congresso.
Nos últimos dias, também cresceu a especulação sobre o futuro de Ricardo Lewandowski no comando do ministério. O ministro teria sinalizado intenção de deixar o cargo em 2026, e uma conversa com Lula está prevista para esta quarta (7) para alinhar próximos passos.