Moraes diz que Judiciário precisa de humildade para ouvir críticas, mas reclama de “ataques” de influencers

Em evento do CNJ em Florianópolis, ministro do STF defende que parte das críticas é válida, aponta ofensiva de grupos econômicos nas redes e volta a apoiar penduricalhos como o quinquênio para juízes.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (2/11) que o Poder Judiciário precisa ter humildade para reconhecer e acolher críticas legítimas. A declaração foi feita durante evento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em Florianópolis (SC).
“Obviamente muitas das críticas são válidas, e nós temos que ter a humildade de aceitar algumas críticas, ou várias críticas que são válidas, repensar e não cair na tentação de querer resolver todos os problemas do mundo”, disse Moraes.
Apesar do tom de autocrítica, o ministro afirmou que boa parte das manifestações contra o Judiciário nas redes sociais é alimentada por grupos econômicos poderosos, que, segundo ele, não aceitam a ideia de igualdade de direitos.
“A força do Poder Judiciário fez com que seus inimigos, principalmente aqueles que acham que igualdade e liberdade são só para eles, para um determinado grupo, e não para toda a sociedade, fizessem com que esses grupos economicamente muito fortes e integrados internacionalmente passassem a atacar o Poder Judiciário”, declarou.
Moraes criticou ainda o papel das redes sociais na formação de opinião sobre o Judiciário, citando o peso de influenciadores digitais:
“Hoje qualquer influencer virou um analista judiciário, não sabe nem a composição do tribunal, mas é o maior analista judiciário de todos os tempos. Só que ele tem 10, 20 milhões de seguidores. Isso faz com que o Judiciário viva sob ataque”, afirmou.
Defesa de penduricalho para juízes
No mesmo discurso, Alexandre de Moraes voltou a defender a valorização da carreira da magistratura por meio da retomada de benefícios como o Adicional por Tempo de Serviço (ATS), o chamado quinquênio — um acréscimo salarial a cada cinco anos de serviço.
“Nós temos que defender a valorização da carreira com a volta do Adicional por Tempo de Serviço. Foi um erro isso (acabar com o quinquênio). Não é possível que alguém que ingresse na magistratura ganhe a mesma coisa que alguém que está há 40 anos, e que o aposentado depois perca vários benefícios e tenha um decréscimo gigantesco nos seus vencimentos”, afirmou.
O pagamento do quinquênio ficou suspenso entre 2006 e 2022, após a adoção do modelo de subsídio para a remuneração dos juízes. O tema voltou à pauta do STF no ano passado, mas o julgamento foi interrompido por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
Enquanto defende mais benefícios para magistrados, Moraes tenta equilibrar o discurso ao admitir que o Judiciário precisa se abrir a críticas — ao mesmo tempo em que reage ao que chama de “ataques organizados” de grupos econômicos e de influenciadores que, segundo ele, transformaram o debate sobre a Justiça em alvo permanente de disputa nas redes.