Nem com reza braba: Desembargadora nega chorumelas de oficial da Marinha e mantém condenação por crime no Rio
Ex-capitão tentou meter o migué de que teve amnésia e culpa da mardita da bebida, mas Justiça do Rio baixou a lenha e manteve gancho de 72 anos de xilindró

RIO DE JANEIRO – Sabe aquele ditado que diz “quem não aguenta o tirinete, não entra na fogueira”? Pois é. O ex-capitão da Marinha, Cristiano da Silva Lacerda, achou que ia dar uma de espertinho e se livrar da cadeia usando as desculpas mais esfarrapadas do livreto, mas deu com os burros n’água. A desembargadora Maria Sandra Kayat Direito, da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), não caiu na conversa fiada da defesa e manteve a condenação do sujeito pelo assassinato brutal dos ex-sogros.
O crime, que aconteceu em junho de 2022 no chique bairro do Jardim Botânico, chocou até quem já tá calejado. Inconformado com o fim do namoro com Felipe da Silva Coelho, Cristiano resolveu fazer uma trabalheira medonha: matou a facadas os pais do ex, os idosos Geraldo Pereira Coelho e Osélia da Silva Coelho, só para maltratar o coração do rapaz. Um troço de uma ruindade que olha, Deus o livre.
Choro, vela e claims de “amnésia”
A banca de advogados do ex-militar tentou de tudo quanto foi drible para anular o julgamento. Os caras foram chorar as pitangas alegando que o processo estava malfeito, que a investigação foi de qualquer jeito e — a melhor de todas — que o réu teve um apagão, uma “amnésia” conveniente na hora do vucu-vucu, misturada com cachaça e remédio controlado. Queriam meter o migué de que o homem não sabia o que estava fazendo.
Mas a desembargadora Maria Sandra não é de ontem e não caiu nesse lenga-lenga. Baseada no laudo dos peritos, ela deixou bem claro que o acusado não tinha nada de piá pançudo ou coitado: o exame de insanidade mental provou que ele era bem grandinho e sabia perfeitamente o tamanho do crime que estava cometendo. A tese de que a mardita da bebida ou os remédios tiravam a culpa dele foi descartada num estalar de dedos. Passou de lambuja!
“A denúncia atendeu aos requisitos legais e o réu era plenamente capaz de compreender o caráter ilícito de seus atos”, pontuou a magistrada, cortando as asas da defesa.
Menos oito anos, mas ainda vai mofar no xilindró
A única colher de chá que o ex-oficial ganhou foi um pequeno desconto no castigo. A desembargadora deu uma olhada na calculadora da pena e achou que o juiz de primeira instância pesou um pouco a mão num detalhe técnico (o fato de o réu não ter confessado ou se arrependido não podia ser usado para aumentar a pena, já que ninguém é obrigado a se autoincriminar).
Com esse ajuste, a bronca do ex-capitão caiu de 80 para 72 anos de reclusão. Uma “bofetada” considerável, mas que ainda garante que ele vai ficar guardado no xilindró por muuuito tempo, tempo suficiente para pensar na jaca que pisou.
Além de mofar na prisão pelas qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa dos coitados dos velhinhos, Cristiano perdeu em definitivo o cargo de capitão da Marinha e ainda vai ter que coçar o bolso: a Justiça manteve a obrigação de pagar, no mínimo, R$ 200 mil de indenização por danos morais para a família das vítimas. É, o crime não compensa e, no Rio, o feitiço do marinheiro virou contra o feiticeiro.