Corrida pela Vida mobiliza Cascavel em defesa da doação de órgãos e tecidos
Terceira edição do evento reuniu mais de 550 atletas neste domingo (27), durante a programação do Setembro Verde do HUOP e da Unioeste

A manhã deste domingo (27) começou com movimento em frente ao Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP). Antes das 7h30, horário marcado para a largada da 3ª Corrida pela Vida, corredores e participantes da caminhada já chegavam para uma manhã que uniu esporte e conscientização. Mais de 550 atletas participaram da terceira edição do evento, realizado como parte da programação do Setembro Verde, campanha que busca ampliar o diálogo sobre a doação de órgãos e tecidos.
A proposta do evento é utilizar o esporte como uma forma de aproximar a comunidade da delicada discussão que é a decisão pela doação de órgãos e tecidos.
Para Gelena Castillo, coordenadora da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) do HUOP, receber a população para participar da iniciativa representa um momento de emoção para a instituição e reforça a importância da mobilização em torno da causa. “É muito emocionante para o HUOP receber toda a população hoje para comemorar conosco o Dia da Doação de Órgãos e apoiar essa causa tão nobre, que é a continuidade da vida. Então, seja favorável, e venham sempre acompanhar conosco”.
A escolha do tema para a corrida está relacionada a uma realidade que faz parte do trabalho desenvolvido pelo HUOP. A instituição não é um centro transplantador, mas integra a rede responsável pela captação de órgãos e tecidos que posteriormente poderão chegar a pacientes que aguardam por um transplante. Da identificação de um possível doador e da chegada de um órgão até seus potenciais receptores, existe uma complexa estrutura que envolve equipes, protocolos e, sobretudo, a decisão das famílias.
Os números ajudam a dimensionar esse trabalho. Em 2024, o HUOP notificou 70 casos de morte encefálica e realizou 30 captações, totalizando 99 órgãos e tecidos captados. Naquele ano, a taxa de autorização familiar foi de 83%. Em 2025, foram registradas 77 mortes encefálicas, realizadas 57 entrevistas familiares e efetivadas 36 doações, com autorização familiar de aproximadamente 77%. Já em 2026, os dados parciais apontam 42 mortes encefálicas, 35 entrevistas familiares e 26 doações.
Além dos números, cada uma dessas fases envolve famílias em um momento de luto e uma escolha que pode abrir novas possibilidades para outras pessoas. Por isso, uma das principais mensagens levadas pelo Setembro Verde é a importância de conversar sobre o assunto antes que essa decisão precise ser tomada.
O relato assume uma perspectiva diferente quando vem de quem foi beneficiado por um órgão. É o caso de Vanilto Dipicoli, receptor renal que participou da Corrida pela Vida e entende a doação pelo próprio percurso de vida. “A participação nesta corrida sempre é especial, porque tem um motivo especial, une a corrida, a celebração da vida e a doação de órgãos. A retomada da Corrida pela Vida do HUOP já foi uma emoção grande no ano passado e esse ano segue novamente sendo um momento único, com muita gente participando, muita gente confraternizando, correndo pelas ruas da cidade, disseminando essa cultura da doação”.
Para o Diretor Geral do HUOP, Rafael Muniz, a Corrida pela Vida também representa a continuidade de uma história que começou há mais de uma década. Em 2015, quando atuava como diretor de enfermagem, participou da idealização da primeira corrida voltada à conscientização sobre a doação de órgãos. Dez anos depois, a iniciativa foi retomada pelo HUOP e, neste domingo, chegou à terceira edição. “Dez anos depois, em 2025, eu pedi para a Gelena, desafiei ela, ela conseguiu fazer a corrida, e agora em 2026 ela acontece novamente, consolidando essa corrida no calendário oficial de corridas de rua do município de Cascavel”.
O reitor da Unioeste, Alexandre Webber, lembra a importância do papel de cada cidadão nessa discussão.
“Esse ato vem para conscientizar as pessoas. Nosso hospital é um dos hospitais que mais capta órgãos do Brasil”.
Foi essa mensagem que acompanhou os participantes durante a manhã. Para quem correu, caminhou ou acompanhou o evento, a medalha recebida ao final representa também a participação em uma iniciativa que busca levar informação para além dos espaços do hospital.
Ao longo do percurso, a Corrida pela Vida transformou uma pauta de saúde em uma mobilização pública. A presença dos mais de 550 atletas também mostra como o esporte pode ser utilizado para aproximar diferentes públicos de temas que precisam ser observados pela sociedade.
O caráter esportivo da manhã também ficou marcado pelos resultados da prova. No masculino, André Wille da Cruz cruzou a linha de chegada na primeira colocação. Para ele, a vitória ganhou um significado especial por estar associada à causa da doação de órgãos. “Isso é a melhor coisa, a gente vem por uma boa causa e ainda poder comemorar com o primeiro lugar. Feliz demais pela causa. Ontem também corri pela causa da doação de sangue, fui campeão também na prova. Feliz demais com a iniciativa de vocês e parabéns pela prova e pela organização. Feliz demais”.
No feminino, a atleta Fernanda Alves conquistou a primeira posição na prova. Além do título, ela ressaltou uma causa que a acompanhou ao longo do percurso. “Muito legal ficar no primeiro lugar das mulheres, mas, acima de tudo, hoje eu corri por essa causa, que é a doação de órgãos. Corri o tempo todo pensando nisso, rezando por todas aquelas pessoas que também precisam e por aquelas que conquistaram, porque isso é uma vitória, graças também à campanha que vocês do HUOP fizeram”.
Para o HUOP e a Unioeste, a realização da terceira edição da Corrida pela Vida integra um conjunto de ações do Setembro Verde voltadas à conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, ampliando o conhecimento sobre o processo e estimulando uma conversa que pode começar muito antes de uma família precisar enfrentar uma decisão.
Falar sobre doação de órgãos é falar sobre escolhas, famílias e sobre a possibilidade de que, mesmo diante de uma perda, outras pessoas possam ter a oportunidade de continuar suas histórias. É essa a discussão que o Setembro Verde leva para a comunidade e que a Corrida pela Vida colocou em movimento pelas ruas de Cascavel.
Homenagem
Antes da realização da corrida, um grave acidente de trânsito na Avenida Tancredo Neves, envolvendo agentes da Guarda Municipal de Cascavel, resultou na morte de Wando Moraes de Oliveira Branco. A organização da prova e a direção do HUOP/Unioeste lamentam profundamente o ocorrido e manifestam solidariedade aos familiares e amigos do agente neste momento de dor.







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