Governo argentino nega entrada de Flávio Bolsonaro no país e descarta ligação com avião particular
Autoridades afirmam que não há registro migratório do senador brasileiro na Argentina nem plano de voo envolvendo a família Bolsonaro. Polícia Federal brasileira investiga possível tentativa de saída do país pela fronteira.

O governo da Argentina afirmou que não possui registro da entrada do senador brasileiro Flávio Bolsonaro no país, após a derrota do candidato do Partido Liberal (PL) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. A informação foi divulgada pela Direção Nacional de Migrações argentina, em resposta a rumores de que o parlamentar teria tentado deixar o Brasil pela região de Foz do Iguaçu para embarcar rumo aos Estados Unidos.
Segundo o comunicado oficial, a repercussão sobre a presença de uma aeronave particular no Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú levou as autoridades argentinas a iniciar verificações sobre o avião e sua tripulação. Após as averiguações, foi constatado que a documentação da empresa responsável estava regular.
O governo argentino também informou que não foi apresentado nenhum plano de voo envolvendo a família Bolsonaro. Dessa forma, a administração de Javier Milei descartou tanto a entrada do senador no país quanto sua relação com a aeronave investigada.
A manifestação oficial coincide com informações divulgadas anteriormente por fontes do governo argentino ao jornal Clarín, que afirmaram não haver registro de que Flávio Bolsonaro tivesse cruzado a fronteira. Um porta-voz do senador também negou as informações sobre uma suposta saída do Brasil, em declaração ao jornal brasileiro Folha de S.Paulo.
Na terça-feira (27), durante a habitual entrevista coletiva na Casa Rosada, o porta-voz presidencial Adrián Ravier também afirmou que não houve qualquer pedido de asilo político apresentado por Bolsonaro.
Polícia Federal investiga possível saída do Brasil
No Brasil, a Polícia Federal investiga se Flávio Bolsonaro tentou deixar o território nacional pela fronteira com a Argentina, segundo informações divulgadas pela imprensa local.
As primeiras versões indicavam que o senador não teria conseguido sair do país porque a Justiça havia determinado a retenção de seu passaporte. Posteriormente, foi informado que o documento ainda não havia sido entregue e que o parlamentar teria prazo até quarta-feira (28) para fazê-lo.
Flávio Bolsonaro é alvo de investigações judiciais, e, conforme as informações divulgadas, há preocupação das autoridades com um possível risco de fuga.
Até o momento, porém, as informações apresentadas pelo governo argentino não confirmam a entrada do senador no país nem sua participação em qualquer plano de viagem relacionado à aeronave que motivou a repercussão.
PL reconhece vitória de Lula
A controvérsia surgiu dois dias após o segundo turno das eleições presidenciais de domingo (25), quando Lula da Silva derrotou Flávio Bolsonaro e conquistou um novo mandato.
De acordo com os números apresentados no relato, o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) obteve 51,79% dos votos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. A diferença foi superior a quatro milhões de votos: aproximadamente 64,2 milhões para Lula e 59,8 milhões para o candidato do PL.
Após a divulgação do resultado, Flávio Bolsonaro não reconheceu imediatamente a vitória do adversário e afirmou que pediria a anulação da eleição.
Na segunda-feira (26), entretanto, o Partido Liberal reconheceu oficialmente a vitória de Lula, embora tenha defendido o esclarecimento de questionamentos levantados durante o processo eleitoral. Segundo as informações divulgadas, o senador também teria abandonado o pedido de anulação do pleito.
Em nota assinada pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, a legenda declarou reconhecer o resultado presidencial proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas defendeu que as questões apresentadas fossem esclarecidas em um debate político equilibrado e democrático.
O partido acrescentou que continuará acompanhando os acontecimentos e buscando respostas com responsabilidade, transparência e respeito às instituições.






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