Opinião

O Brasil, definitivamente, não é para amadores

A proximidade entre decisões judiciais, eleições e o caso Banco Master alimenta perguntas que o Brasil ainda precisa responder

Por · 06/10/2026 11:58
O Brasil, definitivamente, não é para amadores

*Por Luiz Carlos da Cruz

Dois dias depois do primeiro turno das eleições, Alexandre de Moraes, o carrasco, até então, dos Bolsonaros e da turma do 8 de janeiro, decidiu ficar “bonzinho” e começou a liberar os “patriotas” que permanecem presos. A primeira a voltar para o regime semiaberto é a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como Débora do Batom, condenada a 14 anos de prisão por sua participação nos atos de 8 de janeiro de 2023.

No primeiro turno, com Xandão envolvido até o pescoço no Caso Banco Master, a imprensa chegou a dizer que Lula teria se afastado do ministro para evitar que o escândalo atingisse a campanha do petista. Mas isso acabou acontecendo. Só que esse afastamento é justamente tudo o que Moraes queria.

Ainda não saiu pesquisa eleitoral para o segundo turno. Mas, convenhamos, quem confia em pesquisa?

O resultado do primeiro turno indica uma disputa extremamente apertada, com Flávio Bolsonaro largando na frente. Se mantiver a vantagem e confirmar a vitória no segundo turno, deverá ser o próximo presidente da República.

Ao contrário do que alguns lunáticos insistem em dizer, não há prova alguma de fraude nas urnas eletrônicas brasileiras, que se tornaram referência para o mundo. E Xandão sabe que o momento é de ficar calado e começar a agir aos poucos, aproximando-se, nos bastidores, do possível próximo presidente.

É justamente aí que começa a parte interessante da história.

É de se desconfiar de que possa existir algum jogo de interesses nessa aproximação improvável de ambos os lados. O Caso Master atinge em cheio Flávio Bolsonaro e seus aliados, assim como respinga em integrantes da própria Corte. Nessa hora, como sempre, a proteção institucional pode falar mais alto.

E aí começa o jogo de xadrez.

De um lado, Flávio Bolsonaro buscando chegar ao Palácio do Planalto. Do outro, uma Corte que terá de conviver com um novo cenário político, caso o atual líder da oposição chegue à Presidência.

No meio disso tudo, Jair Bolsonaro continua sendo uma das peças mais importantes desse tabuleiro. Sua situação jurídica interessa diretamente ao futuro político do bolsonarismo.

Então imagine o seguinte cenário: Flávio ganha a eleição no segundo turno, Jair Bolsonaro recupera gradualmente sua liberdade e o Caso Master vai sendo esquecido aos poucos.

Coincidência?

Pode ser.

Estratégia?

Também pode ser.

Acordo?

Não há prova para afirmar.

Mas que o roteiro é curioso, isso é.

E quanto ao povo que tanto depende de homens fortes nas instituições para transformar a Nação?

Neste momento parece que a resposta é uma só: Perdeu, mané!

Definitivamente, o Brasil não é para amadores.

Quem viver, verá!

 

*Luiz Carlos da Cruz é jornalista

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