O Brasil, definitivamente, não é para amadores
A proximidade entre decisões judiciais, eleições e o caso Banco Master alimenta perguntas que o Brasil ainda precisa responder

*Por Luiz Carlos da Cruz
Dois dias depois do primeiro turno das eleições, Alexandre de Moraes, o carrasco, até então, dos Bolsonaros e da turma do 8 de janeiro, decidiu ficar “bonzinho” e começou a liberar os “patriotas” que permanecem presos. A primeira a voltar para o regime semiaberto é a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como Débora do Batom, condenada a 14 anos de prisão por sua participação nos atos de 8 de janeiro de 2023.
No primeiro turno, com Xandão envolvido até o pescoço no Caso Banco Master, a imprensa chegou a dizer que Lula teria se afastado do ministro para evitar que o escândalo atingisse a campanha do petista. Mas isso acabou acontecendo. Só que esse afastamento é justamente tudo o que Moraes queria.
Ainda não saiu pesquisa eleitoral para o segundo turno. Mas, convenhamos, quem confia em pesquisa?
O resultado do primeiro turno indica uma disputa extremamente apertada, com Flávio Bolsonaro largando na frente. Se mantiver a vantagem e confirmar a vitória no segundo turno, deverá ser o próximo presidente da República.
Ao contrário do que alguns lunáticos insistem em dizer, não há prova alguma de fraude nas urnas eletrônicas brasileiras, que se tornaram referência para o mundo. E Xandão sabe que o momento é de ficar calado e começar a agir aos poucos, aproximando-se, nos bastidores, do possível próximo presidente.
É justamente aí que começa a parte interessante da história.
É de se desconfiar de que possa existir algum jogo de interesses nessa aproximação improvável de ambos os lados. O Caso Master atinge em cheio Flávio Bolsonaro e seus aliados, assim como respinga em integrantes da própria Corte. Nessa hora, como sempre, a proteção institucional pode falar mais alto.
E aí começa o jogo de xadrez.
De um lado, Flávio Bolsonaro buscando chegar ao Palácio do Planalto. Do outro, uma Corte que terá de conviver com um novo cenário político, caso o atual líder da oposição chegue à Presidência.
No meio disso tudo, Jair Bolsonaro continua sendo uma das peças mais importantes desse tabuleiro. Sua situação jurídica interessa diretamente ao futuro político do bolsonarismo.
Então imagine o seguinte cenário: Flávio ganha a eleição no segundo turno, Jair Bolsonaro recupera gradualmente sua liberdade e o Caso Master vai sendo esquecido aos poucos.
Coincidência?
Pode ser.
Estratégia?
Também pode ser.
Acordo?
Não há prova para afirmar.
Mas que o roteiro é curioso, isso é.
E quanto ao povo que tanto depende de homens fortes nas instituições para transformar a Nação?
Neste momento parece que a resposta é uma só: Perdeu, mané!
Definitivamente, o Brasil não é para amadores.
Quem viver, verá!
*Luiz Carlos da Cruz é jornalista






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