Presidente do Paraguai anuncia renúncia em meio a processo de impeachment
Santiago Peña tomou a decisão após a Câmara dos Deputados aprovar a abertura de um processo de impeachment. Crise bancária envolvendo o Banco Ueno e possíveis conflitos de interesse agravaram a situação política.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, de 47 anos, anunciou nesta quinta-feira (5) que decidiu renunciar ao cargo, em meio ao avanço de um processo de impeachment no Congresso Nacional. A crise política ganhou força após o colapso do Banco Ueno, considerado o maior banco digital do país, e denúncias envolvendo pessoas ligadas à instituição financeira.
Em comunicado publicado nas redes sociais, Peña afirmou que a decisão foi motivada pela preocupação com a estabilidade do país e a preservação das instituições democráticas.
“Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República. O que faço é pensar na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, declarou.
A renúncia ainda depende da análise do Congresso paraguaio, que deverá decidir se aceita ou rejeita o pedido formal. Caso a saída seja recusada, os parlamentares poderão dar continuidade ao processo de impeachment. A Câmara dos Deputados aprovou, também nesta quinta-feira, a abertura do procedimento contra o presidente.
Eleito em abril de 2023, Peña é filiado ao Partido Colorado, legenda de direita que também levou ao poder seu antecessor, Mario Abdo Benítez.
Crise bancária e acusações
O pedido de impeachment foi apresentado inicialmente por um grupo de 35 deputados da oposição, mas também recebeu apoio de integrantes da base governista.
Um dos principais pontos de questionamento envolve a ligação de Peña com o grupo empresarial controlador do Banco Ueno. O presidente paraguaio foi acionista da Ueno Holding até março de 2025, o que levantou suspeitas sobre possíveis conflitos de interesse na condução da crise.
A situação também provocou mudanças na cúpula financeira do país. Carlos Carvallo, presidente do Banco Central do Paraguai desde 2023 e ex-presidente do Banco Ueno, renunciou ao cargo.
Banco Ueno foi considerado insolvente
No dia 3 de novembro, o Banco Central do Paraguai determinou a suspensão das operações do Banco Ueno e iniciou um procedimento de resolução da instituição, após considerá-la insolvente, condição em que uma empresa não consegue cumprir suas obrigações financeiras.
O caso também passou a ser investigado pelo Ministério Público, que solicitou a abertura de uma investigação criminal e pediu a prisão de dois dirigentes da instituição.
As apurações envolvem suspeitas de irregularidades na gestão e na concessão de empréstimos a empresas vinculadas ao grupo controlador, operações que teriam comprometido o patrimônio do banco.
A crise financeira acabou se transformando em uma grave turbulência política, colocando em xeque a permanência de Santiago Peña na Presidência do Paraguai.
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