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Nova Lei garante à mulher o direito a acompanhante em consultas, exames e procedimentos médicos

Foto: Tim Sloan/AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou, nesta terça-feira (28), uma lei que representa um avanço significativo nos direitos das mulheres no contexto da saúde. A medida amplia a possibilidade de a mulher ter um acompanhante em consultas, exames e procedimentos médicos, visando a sua segurança e conforto durante essas situações sensíveis.

Origem da Proposta e Necessidade de Mudança

A proposta para essa lei surge em meio a casos chocantes de abusos sexuais de mulheres que estavam sedadas durante procedimentos médicos. Um desses casos ganhou destaque, envolvendo um anestesista que foi preso em flagrante após funcionários do hospital o filmarem colocando o pênis na boca de uma paciente desacordada durante uma cesárea. Essas situações trouxeram à tona a necessidade de criar mecanismos de proteção e garantir o direito à dignidade das pacientes.

Principais Pontos da Nova Lei:

  1. Acompanhante Maior de Idade: A partir de agora, toda mulher tem o direito a um acompanhante maior de idade durante consultas, exames e procedimentos médicos. Não será mais necessária a comunicação prévia para garantir esse direito.
  2. Aplicabilidade Pública e Privada: A mudança na legislação vale tanto para unidades de saúde públicas quanto privadas, abrangendo um amplo espectro de atendimento médico.
  3. Procedimentos Envolvendo Sedação: Se um procedimento médico envolver a sedação da paciente e ela não tiver um acompanhante, a unidade de saúde deve indicar uma pessoa para acompanhá-la. Essa pessoa indicada, de preferência uma profissional de saúde do sexo feminino, deve cumprir essa função sem custo adicional.
  4. Direito de Abdicar do Acompanhante: Caso a paciente queira abrir mão do seu direito a um acompanhante em procedimentos com sedação, ela poderá fazê-lo por escrito, com no mínimo 24 horas de antecedência. Esse pedido deve ser registrado em um documento assinado e arquivado em seu prontuário médico.
  5. Centros Cirúrgicos: Em centros cirúrgicos, a presença de acompanhantes está restrita a profissionais de saúde, de acordo com a nova lei. Isso garante um ambiente adequado para procedimentos cirúrgicos.
  6. Exceção em Casos de Urgência e Emergência: A lei prevê uma exceção ao direito de acompanhante em casos de urgência e emergência. Nesses casos, os profissionais de saúde ficam autorizados a agir na proteção e defesa da saúde e da vida da paciente, mesmo na ausência do acompanhante requerido.
  7. Obrigação de Informação: As unidades de saúde são obrigadas a manter um aviso visível que informe às pacientes sobre o novo direito de acompanhante, garantindo que todas tenham conhecimento dessa proteção adicional.

Avanço nos Direitos das Mulheres

Essa nova lei representa um avanço significativo nos direitos das mulheres, visando a garantia de sua integridade física e emocional durante procedimentos médicos. A medida cria um ambiente mais seguro e acolhedor para as pacientes, promovendo o respeito à sua dignidade e autonomia.

Vale ressaltar que, em outubro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), havia sancionado uma lei semelhante no estado, assegurando às mulheres o direito a um acompanhante em qualquer procedimento clínico. Em São Paulo, as ações de fiscalização e os canais de denúncia serão definidos em decreto após a regulamentação da lei.

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