Paolla Oliveira denuncia uso criminoso de IA em deepfakes sexuais e alerta para violência contra mulheres
Atriz revela que enfrenta diariamente montagens falsas de cunho sexual; levantamento aponta centenas de vítimas, incluindo adolescentes em escolas brasileiras

A atriz Paolla Oliveira denunciou o uso criminoso da inteligência artificial para criar deepfakes sexuais, prática que tem atingido principalmente mulheres e meninas. Em entrevista ao programa Fantástico, ela revelou conviver diariamente com imagens manipuladas que utilizam seu rosto em conteúdos pornográficos falsos.
“Quando começou essa coisa de inteligência artificial, você não sabia muito para onde ia. Aí comecei a ver que não tem mais parada. Eu tive situações muito expostas, vexatórias mesmo, de cunho sexual”, afirmou a atriz.
Durante a reportagem, Paolla também ouviu o relato de vítimas. Uma delas, identificada como Débora, contou que teve fotos manipuladas por inteligência artificial e publicadas em um site de conteúdo adulto após sofrer uma tentativa de chantagem.
A vítima reuniu provas, como capturas de tela, o nome do site e do perfil responsável pela publicação, e procurou a polícia. Ela revelou que chegou a se culpar por ter publicado fotos de biquíni nas redes sociais, mas concluiu que não havia feito nada de errado. O apoio da família foi fundamental para enfrentar a situação.
Casos também atingem escolas
O problema também tem afetado adolescentes. Um levantamento da SaferNet Brasil identificou 222 meninas vítimas de deepfakes sexuais em escolas brasileiras em apenas seis meses.
Somente no estado de São Paulo foram registrados 65 casos. Em uma escola, oito adolescentes tiveram seus rostos inseridos em montagens pornográficas produzidas por um colega de classe. As vítimas acionaram a direção da escola e os pais, que registraram ocorrência policial.
Segundo o delegado Cristiano, responsável pela investigação, o adolescente respondeu por ato infracional e recebeu medida socioeducativa. Ele orienta que vítimas registrem boletim de ocorrência e, quando envolver menores de idade, comuniquem também os responsáveis e a escola.
Mercado lucrativo com imagens falsas
Pesquisadores do NetLab UFRJ identificaram um mercado estruturado em torno de deepfakes utilizando a imagem de Paolla Oliveira.
Durante o monitoramento, foram encontrados 198 anúncios circulando nas plataformas da Meta. Desses, 191 direcionavam usuários para o Telegram, onde um robô simulava conversar com a atriz para vender conteúdos pornográficos falsos.
A diretora do laboratório, Marie Santini, afirmou que esse tipo de conteúdo é criado para gerar lucro e que os anúncios eram impulsionados nas plataformas digitais.
Em nota, a Meta informou que suas políticas proíbem conteúdos e anúncios que promovam material sexualmente explícito ou facilitem fraudes e afirmou remover esse tipo de publicação quando identificado. Já o Telegram declarou que proíbe conteúdo íntimo não consensual, incluindo deepfakes, e que colabora com investigações fornecendo dados às autoridades quando solicitado.