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Papa Leão XIV pede que EUA evitem derrubar Maduro pela força

Francesco Fotia

Pontífice defende diálogo e pressão econômica em vez de intervenção militar na Venezuela e diz ver sinais “confusos” do governo Trump.

O papa Leão XIV pediu, nesta terça-feira (2), que o governo dos Estados Unidos não tente retirar o presidente venezuelano Nicolás Maduro do poder por meio de uma intervenção militar.

Primeiro pontífice americano da história, Leão XIV afirmou que, caso a Casa Branca queira promover mudanças na Venezuela, o caminho mais responsável passa por negociação diplomática ou pressão econômica, e não pelo uso direto da força.

Questionado, em coletiva de imprensa, sobre as ameaças do presidente Donald Trump de derrubar Maduro pela força, o papa respondeu:

“É melhor buscar formas de diálogo, ou talvez de pressão, inclusive econômica”, declarou.

O governo Trump acusa Maduro de liderar o Cartel de Los Soles e de ter ligações com o narcotráfico na região. O líder venezuelano nega as acusações e ordenou que as Forças Armadas estejam em estado de prontidão para possíveis confrontos.

Escalada militar dos EUA na região

Nos últimos meses, os Estados Unidos têm aumentado a pressão militar sobre o regime chavista. Washington enviou navios de guerra e aviões para o Caribe e anunciou ataques contra embarcações suspeitas de transportar drogas na região, sob o argumento de combate ao narcotráfico.

As movimentações ocorrem em meio a um clima de incerteza sobre os próximos passos do governo Trump em relação à Venezuela, enquanto cresce o temor de uma operação militar direta contra o país vizinho.

Falando a jornalistas no retorno de uma visita à Turquia e ao Líbano, Leão XIV disse que as mensagens vindas de Washington em relação a Caracas são contraditórias.

“Por um lado, parece que houve uma ligação entre os dois presidentes. Por outro lado, existe o perigo, existe a possibilidade de haver alguma atividade, alguma operação [militar]”, afirmou o pontífice, em referência ao telefonema entre Trump e Maduro no mês passado.

Segundo Leão XIV, a falta de clareza aumenta a tensão em toda a região:

“As vozes que vêm dos Estados Unidos mudam com certa frequência”, observou.

Ao defender que “toda guerra é sempre uma derrota para a humanidade”, o papa reforçou o apelo para que a crise seja enfrentada com diálogo, mediação internacional e esforços diplomáticos, evitando que o conflito político se transforme em confronto armado.

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