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Paranaense foge da guerra na Ucrânia após não conseguir quebrar contrato

Foto: Arquivo Pessoal

Lucas Felype, de Francisco Beltrão, relata travessia de cinco dias até escapar da linha de frente

O jovem paranaense Lucas Felype Vieira Bueno, de 20 anos, que havia se voluntariado para atuar na guerra da Ucrânia, conseguiu fugir do país após perceber que seria enviado ao campo de batalha. Ele afirma que viajou com a promessa de trabalhar com drones, mas acabou direcionado para a infantaria.

Segundo Lucas, ao tentar quebrar o contrato com o governo ucraniano, descobriu que o documento previa permanência mínima de seis meses, o que o impedia legalmente de deixar o país antes de dezembro de 2025.

A fuga

Natural de Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná, Lucas contou que deixou a base militar na madrugada de 12 de agosto e caminhou cerca de 20 quilômetros até conseguir carona. Ao todo, foram cinco dias de deslocamento até atravessar a fronteira.

“Foram os dias mais tensos da minha vida. Cada barreira era um frio na barriga, eu não sabia se realmente iria conseguir sair dessa”, relatou em entrevista exclusiva ao g1.

O trajeto incluiu passagens por Kharkiv, Kiev e Lviv, totalizando mais de mil quilômetros percorridos, grande parte a pé. Segundo o paranaense, houve momentos de tensão na fronteira, mas ele conseguiu atravessar e recebeu um visto de turismo em país vizinho, cujo nome não foi revelado por motivos de segurança.

Pedido de ajuda e contrato rígido

Antes de fugir, Lucas já havia publicado um pedido de ajuda nas redes sociais. Ele relatou ter procurado a Embaixada do Brasil em Kiev, mas foi informado de que a autoridade não poderia intervir no contrato firmado com o Ministério da Defesa da Ucrânia.

O documento estabelecia que a saída antes do prazo exigiria justificativas como problemas de saúde ou emergência familiar. Também previa a devolução de equipamentos ou reembolso dos itens recebidos em caso de abandono.

De acordo com o especialista em Direito Internacional Pablo Sukiennik, Lucas pode ser acusado de deserção conforme a lei ucraniana, o que pode até gerar pedido de extradição.

Futuro incerto

Após atravessar a fronteira, o jovem estuda com a família se retorna ao Brasil ou permanece na Europa. “Meu futuro aqui é incerto, mas está melhor do que antes”, declarou.

O Ministério das Relações Exteriores informou que, por meio da Embaixada em Kiev, está prestando a assistência consular devida.

Risco para brasileiros

Em junho deste ano, o Itamaraty emitiu alerta sobre o alistamento voluntário em forças estrangeiras. O órgão destacou que há registros de brasileiros mortos em combates e alertou que a assistência consular pode ser severamente limitada devido aos contratos assinados com governos de outros países.

Contexto do conflito

A guerra na Ucrânia começou em fevereiro de 2022, quando a Rússia invadiu o território ucraniano. Desde então, os combates resultaram em milhares de mortos e milhões de refugiados, sem perspectiva concreta de fim do conflito.

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